Tudo congela em segundos: com −89,2 °C, a Antártida registra a menor temperatura do ar já medida na superfície da Terra
O recorde foi medido na estação russa Vostok, no inverno de 1983. Entenda por que o continente gelado produz um frio quase inimaginável
Se o vento brasileiro muitas vezes já nos é considerado frio, imagine respirar em um local em que a temperatura é tão baixa que pode apresentar perigo à saúde humana.
No interior da Antártida, existe um local em que o inverno deixa de ser somente uma estação e se torna uma prova de sobrevivência.
Foi nessa região, em junho de 1983, que termômetros russos registraram a temperatura histórica de – 89,2 °C.
O número histórico
Essa temperatura histórica foi registrada na estação meteorológica russa de Vostok, localizada no oriente da Antártida, onde os invernos são mais severos.
Em meio a um “deserto branco” de neve, a região combina diversos fatores que favorecem essa dominância do frio.
O que explica esse frio?
Esse frio não é um fenômeno aleatório e surge da soma de fatores geográficos e de um alinhamento de condições meteorológicas.
Para que o frio chegue a essa intensidade, o clima do local precisa “ajudar”: o céu fica sem nuvens por muitos dias, o vento mal sopra e o ar é muito seco.
Com isso, o ar gelado (que é mais denso e tende a ficar na superfície) não se espalha nem se mistura com o ar mais quente e acaba ficando “preso” perto do chão, impossibilitando que a temperatura se “equilibre”. É como se o frio fosse se acumulando na superfície.
Todos esses fatores possibilitaram a temperatura mais baixa já registrada.
O que acontece com o corpo humano nesse frio?
Em ambientes com essa temperatura, ficar exposto sem proteção pode ser considerado um risco imediato. A pele sem proteção pode congelar em segundos, pela diferença de temperatura entre o corpo humano e o ambiente, o que pode causar um choque térmico.
Quando os tecidos humanos caem para temperaturas abaixo de – 2 °C, podem se formar camadas de cristais de gelo, que danificam as células humanas e comprometem a circulação sanguínea.
Ao mesmo tempo, o corpo humano entra em estado de hipotermia, em que o organismo perde calor rapidamente e se torna suscetível a riscos vitais.
Mais do que um número impressionante, essa temperatura de – 89,2 °C registrada no oriente da Antártida mostra até onde a natureza consegue ir com a combinação de diferentes condições e evidência que muitos locais ainda não podem ser dominados pelos seres humanos.
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