China investe pesado em IA na produção cinematográfica e desafia a indústria hollywoodiana

Avanço da IA generativa no cinema levanta alerta sobre autoria e originalidade: de quem é a autoria quando algo é produzido pela IA?

Gabriel Dias Gabriel Dias -
China investe pesado em IA na produção cinematográfica
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/YouTube)

O investimento em IA generativa na produção cinematográfica tem sido alvo de debates fervorosos e de polarização nas opiniões públicas, após uma big tech chinesa lançar novo programa.

Nesse cenário, na última semana, um evento reacendeu esse debate entre profissionais do cinema: a divulgação de um vídeo produzido no software Seedance 2.0 — criado pela ByteDance, atual dona do TikTok — que mostra uma luta entre os atores Tom Cruise (63) e Brad Pitt (62).

O caso do Seedance 2.0 não é isolado: o mercado de IA generativa está em forte expansão na China, que já vale cerca de US$ 5,16 bilhões em 2025, com previsão de crescimento para quase US$ 19,6 bilhões até 2034, aumentando em quase quatro vezes seu valor.

O vídeo foi amplamente divulgado na internet e logo se tornou alvo de críticas conjuntas por parte dos grandes estúdios de Hollywood, alegando que a IA em questão é baseada em plágios de obras americanas.

Críticas severas ao modelo de negócio

Importantes figuras da indústria se posicionaram logo após o ocorrido, como Charles H. Rivkin, presidente da Motion Picture Association, responsável por representar os interesses de grandes estúdios americanos.

Segundo Rivkin, os vídeos se baseiam no uso não autorizado de obras americanas para sustentar o banco de dados da IA.

A IA generativa Seedance 2.0 foi lançada recentemente na China e impressiona pela verossimilhança com imagens reais. Críticos apontam que a Big Tech opera sem se importar em garantir os direitos autorais das obras e é movida por materiais já produzidos.

Os limites da IA: uma questão sensível

Ao contrário do que o termo Inteligência Artificial sugere, os sistemas de IA não possuem inteligência própria e são baseados na técnica de Machine Learning: são treinados com grandes volumes de dados previamente existentes e utilizam esses padrões para gerar novos conteúdos.

O debate surge porque, embora o resultado seja inédito, ele é construído com base em materiais previamente existentes — o que levanta questionamentos sobre autoria, direitos autorais e os limites éticos da tecnologia. Novamente, a questão é levantada: de quem é a autoria de um vídeo gerado por IA?

Se a tecnologia passa a gerar cenas, atuações e obras completas, o cinema entra em uma zona cinzenta — e contraditória: a criatividade humana continua no centro da indústria ou passa a ser apenas referência para algoritmos?

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.