Pessoas que permanecem em silêncio em grupo compartilham traços em comum, segundo a psicologia
Neurociência mostra que falar menos nem sempre significa falta de interesse ou insegurança

Em reuniões de trabalho, encontros familiares ou rodas de amigos, uma pessoa silenciosa costuma ser rotulada com facilidade: tímida, insegura ou desinteressada. Mas a psicologia e a neurociência apontam para outra leitura — muito mais complexa.
Falar pouco em conversas em grupo não significa, necessariamente, falta de opinião ou dificuldade social. Em muitos casos, o silêncio pode ser sinal de um cérebro altamente ativo, envolvido em análise, conexão de ideias e reflexão antes de qualquer intervenção.
Pesquisas em neurociência mostram que pessoas com perfil mais introvertido apresentam maior ativação cortical basal. Isso significa que seus cérebros operam em um nível elevado de estimulação, mesmo em repouso.
Enquanto indivíduos mais extrovertidos buscam estímulos externos constantes para atingir seu ponto ideal de ativação, os introvertidos já partem de um estado interno mais intenso.
Os neurotransmissores também desempenham papel importante nessa diferença. Pessoas mais extrovertidas tendem a responder de forma mais marcante à dopamina, associada à novidade e à recompensa externa.
Já os introvertidos apresentam maior relação com a acetilcolina, substância ligada à atenção focada e ao processamento interno. Na prática, isso pode significar menos impulsividade verbal e mais reflexão.
Na psicologia, existe o conceito de “necessidade de cognição”, que descreve a tendência de apreciar pensamentos complexos e análises prolongadas.
Indivíduos com alto nível dessa característica não apenas acompanham a conversa: eles avaliam argumentos, detectam nuances, relacionam o que está sendo dito a experiências anteriores e ponderam consequências antes de responder.
Estudos sobre percepção social indicam que pessoas que falam menos em grupo são frequentemente vistas como menos competentes ou menos aptas à liderança — uma avaliação que nem sempre corresponde à realidade de suas habilidades cognitivas.
Em ambientes corporativos e educacionais, a participação visível costuma ser valorizada. Processos seletivos, por exemplo, tendem a favorecer perfis comunicativos e expansivos, mesmo quando candidatos mais reflexivos demonstram igual ou maior capacidade analítica.
Em uma cultura que valoriza rapidez, exposição e respostas imediatas, o silêncio tende a ser subestimado.
No entanto, a psicologia sugere que ele pode refletir uma maneira diferente — e igualmente válida — de participar: menos ruidosa, mas profundamente consciente.
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