Home office: nova lei aprovada dá direito a trabalhar de casa dois dias por semana neste país
Nova legislação em Victoria pretende garantir por lei o direito ao home office parcial, permitindo até dois dias de trabalho remoto por semana

Trabalhar de casa por parte da semana deixou de ser apenas um acordo informal em muitas empresas e passou a entrar no território da lei. Este estado caminha para se tornar a primeira jurisdição do país a garantir por legislação o direito de atuar remotamente até dois dias por semana, com início previsto para 1º de setembro.
O anúncio foi feito pela Jacinta Allan, primeira-ministra de Victoria, estado da Austrália, que defendeu a medida como uma forma de dar previsibilidade às famílias e ampliar a participação no mercado de trabalho.
O que a regra muda
Pelo desenho apresentado, a mudança será incorporada à Lei de Igualdade de Oportunidades (Equal Opportunity Act) e permitirá que funcionários façam uma solicitação formal para trabalhar remotamente até dois dias por semana, desde que a função possa ser desempenhada fora do escritório de forma razoável.
A ideia não é automática para todo mundo: o mecanismo central é o direito de fazer a solicitação do estilo de jornada e obrigar o empregador a tratar o pedido com critérios claros, reduzindo negativas sem justificativa.
E as pequenas empresas?
A regra será válida para todos os locais de trabalho, mas empresas com menos de 15 funcionários terão mais tempo para se adequar. Nesse grupo, a implementação foi adiada para 1º de julho de 2027, segundo as informações divulgadas sobre o pacote.
O argumento do governo: família, tempo e custo de vida
Ao apresentar o plano, Allan sustentou que o trabalho remoto tem efeitos diretos sobre a rotina e o orçamento das famílias, ao reduzir deslocamentos e liberar tempo para cuidados com filhos e outras responsabilidades. Em comunicados anteriores sobre a iniciativa, o governo de Victoria também citou economia anual para famílias e impactos em congestionamento e participação na força de trabalho.
A proposta começou a ser construída publicamente em 2025, quando o governo estadual anunciou a intenção de transformar o home office em direito e afirmou que, se a pessoa consegue trabalhar de casa, deveria ter essa possibilidade assegurada por lei.
Empresas criticam: “um modelo imposto” não serve para todos
A reação de entidades empresariais foi imediata. O Business Council of Australia classificou a ideia como uma abordagem “tamanho único”, argumentando que diferentes setores têm rotinas, necessidades e estruturas variadas, e que uma exigência legal pode gerar custos adicionais e burocracia justamente em um cenário de produtividade fraca e pressão econômica.
Por que esse debate virou tão sensível em Melbourne
O pano de fundo ajuda a explicar por que o tema ganhou força e também resistência. Melbourne, capital de Victoria, viveu alguns dos lockdowns mais longos da pandemia, e a retomada do centro comercial ainda é tratada como desafio por setores ligados a comércio, eventos e serviços.
Além disso, o tema tende a pesar no calendário político local: Allan disputa eleições em novembro, e o home office aparece como bandeira capaz de dialogar com custo de vida e organização familiar, pontos sensíveis no pós-pandemia.
O que observar daqui para frente
Mesmo com a aprovação e data anunciada, especialistas e empresas devem concentrar o debate em três pontos:
- o que será considerado razoavelmente possível para trabalho remoto;
- quais justificativas serão aceitas para negar o pedido;
- como será a fiscalização e a resolução de conflitos.
Se o modelo funcionar como o governo promete, Victoria pode abrir caminho para iniciativas semelhantes em outras regiões da Austrália — ou até virar referência no debate global sobre flexibilização do trabalho no pós-pandemia.
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