Petróleo já subiu quase 50% desde o início da guerra no Irã, há um mês
Cenário de tensão pode levar a novos aumentos nos próximos dias

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O petróleo abriu o segundo mês da guerra no Oriente Médio em alta, após acusações do Irã de que os Estados Unidos planejam uma ofensiva terrestre a despeito de mensagens públicas de diálogo e negociação.
Por volta das 20h25 deste domingo (29), os contratos do barril Brent com vencimento em junho de 2026 eram negociados a US$ 108 com alta de 2,5%, segundo dados da plataforma Investing.com.
Desde o início do conflito, no dia 28 de fevereiro, até a última sexta (27), os futuros da commodity já haviam avançado mais de 45%, em meio ao desabastecimento provocado pelas interrupções do fluxo de petróleo pelo estreito de Hormuz. Antes dos ataques, o Brent estava a US$ 72,48.
No contrato LCOc1 do Brent, a cotação chegou a US$ 115,33 por barril, em uma alta de 59% no mês.
“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução nos estoques de reserva, o que poderá desencadear aumentos expressivos no preço do petróleo bruto, do gás natural e de outras commodities”, afirmou Bruce Kasman, chefe global de economia do JPMorgan.
“Um cenário em que o estreito permaneça fechado por mais um mês seria compatível com os preços do petróleo subindo em direção a US$ 150 por barril e com restrições aos consumidores industriais de energia.”
No Brasil, os preços da gasolina e do diesel nos postos brasileiros subiram após o início da guerra. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a gasolina foi vendida na semana passada, em média, a R$ 6,78 por litro, aumento de 8% em relação ao preço praticado antes do conflito, ou R$ 0,50 por litro.
O litro do diesel S-10 custou, em média, R$ 7,57 na semana passada. O aumento acumulado desde a semana anterior à guerra é de 24%, ou R$ 1,48 por litro.
No início desta semana, os estados brasileiros devem tomar uma decisão sobre o subsídio ao diesel importado como forma de amortecer a alta nos preços do combustível.
A proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para criar um subsídio extra de R$ 1,20 para compensar o aumento no preço do diesel importado já tem o apoio de alguns estados, mas a maioria dos governos locais deve definir sua posição nos próximos dias.
A medida proposta pela União é bancar metade do benefício (R$ 0,60 por litro).
A disparada dos preços dos combustíveis é motivo de preocupação no governo, que teme efeitos sobre a eleição de outubro. Na sexta-feira (27), a Polícia Federal realizou a operação Vem Diesel, para coibir supostos aumentos abusivos.
A operação é parte de uma ofensiva do Planalto contra distribuidoras e postos, que inclui fiscalizações conjuntas entre a ANP e o Ministério da Justiça.
Neste domingo (29), o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os EUA planejam “em segredo” um ataque por terra.
Segundo o jornal Washington Post, que cita autoridades americanas sob anonimato, o Pentágono se prepara para realizar operações terrestres de várias semanas que não seriam uma invasão em grande escala, mas incursões em território iraniano por forças especiais.
“Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre”, disse Ghalibaf em um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Irna.
O comandante da Marinha do Irã, Shahram Irani, afirmou neste domingo que o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln será atacado se entrar em uma área de alcance de tiro iraniano.
“Assim que o grupo aeronaval do USS Abraham Lincol n estiver ao alcance, vingaremos o sangue dos mártires do navio Dena lançando diferentes tipos de mísseis”, afirmou, em declarações veiculadas pela televisão estatal. A embarcação à qual ele faz referência é a fragata iraniana afundada pelos EUA no início da guerra.
Um navio americano de assalto anfíbio, à frente de um grupo naval que inclui cerca de 3.500 fuzileiros navais e outros soldados, chegou na sexta à região de operações do Comando Central das Forças Armadas americanas.
Representantes da Turquia, Paquistão, Egito e Arábia Saudita se reúnem neste domingo e na segunda-feira (30) em Islamabad, capital paquistanesa, para conversas sobre o conflito. Segundo pessoas próximas das discussões ouvidas pela agência Reuters, os líderes tratam principalmente de propostas relativas ao estreito de Hormuz.




