Prefeitura rescinde contrato com universidade após estudante de medicina debochar de postinho
Vídeo publicado nas redes sociais provocou indignação, gerou investigação ética e levou ao rompimento imediato do convênio de estágio

O debate sobre ética profissional na área da saúde voltou a ganhar força após um episódio envolvendo uma estudante de medicina em Alagoas.
O caso chamou atenção não apenas pela exposição indevida de uma paciente, mas também pela repercussão nas redes sociais e pelas consequências institucionais que vieram logo depois.
Nos últimos anos, hospitais, universidades e conselhos profissionais passaram a discutir com mais intensidade o impacto do comportamento digital de estudantes e profissionais da saúde.
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Ao mesmo tempo, a popularização das redes sociais aumentou a preocupação com publicações feitas durante atendimentos médicos e estágios hospitalares.
Nesse contexto, um episódio ocorrido em fevereiro de 2022 provocou forte reação pública em Marechal Deodoro, município localizado na região metropolitana de Maceió.
A situação envolveu uma estudante do curso de medicina do Centro Universitário Cesmac durante um plantão em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
O vídeo que gerou revolta nas redes sociais
A estudante, que cursava o 9º período de medicina na época, publicou um vídeo em suas redes sociais ironizando uma paciente atendida na unidade de saúde. O conteúdo foi compartilhado no recurso “Close Friends”, mas rapidamente se espalhou para outras plataformas.
Nas imagens, a jovem aparecia segurando a ficha de atendimento da paciente enquanto fazia comentários debochados sobre o caso. Em uma das legendas, ela escreveu: “Faltam 10 minutos para minha hora de ir embora e chega gente com ‘dor de barriga’ às 18h50. Não tem hora de ficar doente?”.
Além disso, o vídeo mostrava o nome da paciente e ironizava os sintomas relatados durante o atendimento. Consequentemente, a publicação passou a ser criticada por expor dados pessoais e demonstrar falta de empatia em um ambiente de cuidado médico.
Repercussão imediata
Assim que o vídeo viralizou, moradores da cidade e profissionais da saúde passaram a cobrar providências. Enquanto isso, o caso ganhou repercussão nacional e levantou discussões sobre humanização no atendimento público.
A atitude da estudante foi amplamente considerada incompatível com os princípios éticos esperados de futuros profissionais da medicina. Além disso, especialistas destacaram que o respeito ao paciente e o sigilo médico representam pilares fundamentais da profissão.
Prefeitura e universidade adotaram medidas rápidas
Diante da repercussão negativa, a Prefeitura de Marechal Deodoro anunciou o rompimento do contrato de estágio com o Centro Universitário Cesmac naquela unidade específica. Além disso, a gestão municipal solicitou o desligamento imediato da estudante.
O prefeito Claudio Filho divulgou nota oficial repudiando a conduta da aluna. No comunicado, a administração classificou o comportamento como “irresponsável” e “desumano”.
Enquanto isso, o Centro Universitário Cesmac informou que suspendeu a estudante de todas as atividades práticas e abriu um processo ético-disciplinar interno para avaliar possíveis punições acadêmicas.
Consequências éticas e jurídicas
O Conselho Regional de Medicina de Alagoas também abriu sindicância para investigar o caso. Mesmo sem registro profissional definitivo, a conduta da estudante passou a ser analisada por violar princípios básicos ligados ao sigilo do paciente e à ética médica.
Além disso, o Ministério Público acompanhou o episódio para avaliar possíveis violações de direitos da paciente exposta nas imagens divulgadas nas redes sociais.
Embora o vídeo original tenha sido apagado pouco tempo depois, o conteúdo já havia sido replicado por páginas de denúncia e veículos de imprensa. Dessa maneira, o material continuou circulando como registro das publicações feitas pela estudante.
O episódio acabou se tornando um dos casos mais comentados sobre ética médica e comportamento digital nos últimos anos. Além disso, reacendeu discussões sobre responsabilidade profissional, exposição de pacientes e os limites do uso das redes sociais dentro de ambientes de saúde.
Veja mais no vídeo abaixo!
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