Adeus, tijolo de barro: brasileiro cria bloco de concreto com plástico reciclado que dispensa argamassa e promete baratear a obra
Projeto desenvolvido em Roraima reaproveita resíduos plásticos, reduz etapas da construção e busca oferecer uma alternativa mais sustentável para o setor

A construção civil busca soluções capazes de reduzir impactos ambientais sem comprometer a qualidade das obras.
Ao mesmo tempo, o descarte inadequado de plástico continua sendo um dos principais desafios ambientais do país. Por isso, projetos que unem sustentabilidade e inovação ganham cada vez mais espaço.
Nesse cenário, uma tecnologia criada em Roraima chama a atenção por transformar resíduos plásticos em blocos para alvenaria.
- Helena Castro, dona de casa há 30 anos: “Forro o freezer com papel-alumínio e o gelo solta tudo de uma vez”
- Arthur Brooks, professor de Harvard: “A coisa mais gentil que você pode dizer a um amigo é que ele é inútil”
- Otávio Bittencourt, açougueiro: “Muita gente acha que carne maturada é carne velha, mas é o contrário; o descanso amacia a fibra”
A proposta promete diminuir o desperdício, reduzir custos e simplificar etapas da construção. No entanto, o produto ainda passa por testes para atender às normas técnicas antes de chegar ao mercado em larga escala.
Como surgiu o Plasbloc
O técnico em edificação estrutural Almir Ribeiro de Oliveira desenvolveu o Plasbloc após observar o grande volume de garrafas PET e outros plásticos descartados diariamente nos canteiros de obras.
Assim, ele decidiu buscar uma forma de reaproveitar esse material na construção civil.
O bloco reúne concreto, plástico reciclado granulado, cimento, areia, água e um catalisador.
Dessa forma, mantém a resistência do concreto e ainda reaproveita resíduos que normalmente seguiriam para aterros sanitários.
O que diferencia o bloco tradicional
O principal diferencial está no sistema de encaixe. Como resultado, os blocos dispensam argamassa durante a elevação das paredes, o que pode reduzir custos com materiais e mão de obra.
Além disso, segundo o criador, o sistema diminui a necessidade de acabamentos convencionais, acelera a execução da obra e reduz a geração de entulho. Consequentemente, o processo construtivo tende a se tornar mais eficiente e sustentável.
Projeto ainda passa por validações
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (Faperr), por meio do Programa Centelha-RR, apoiou o desenvolvimento da tecnologia.
Segundo Almir Ribeiro de Oliveira, ele pesquisa esse sistema há cerca de 18 anos e utilizou os recursos para realizar ensaios laboratoriais e aperfeiçoar a resistência do material.
Apesar dos resultados promissores, o Plasbloc ainda precisa concluir os testes exigidos pelas normas brasileiras de segurança, desempenho e resistência mecânica. Somente depois dessas validações o setor poderá adotar o produto em maior escala.
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