Flávio Bolsonaro diz que operação contra Jaques Wagner é ‘alento’
Declaração ocorreu após nova fase de investigação que apura supostos repasses ligados ao Banco Master

JOÃO PEDRO ABDO – SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou a operação contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) de “alento” durante evento nesta quinta-feira (18). O petista, líder do governo Lula (PT) no Senado, foi um dos alvos de nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
As suspeitas são de que Wagner tenha recebido quantias do Banco Master por meio de empresa ligada à esposa de seu enteado, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.
“O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida. Como nós sempre dizemos, o cerne de todo esse problema era o PT da Bahia”, disse.
O senador tenta descolar sua imagem do escândalo do Banco Master após ter sua proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelada em áudios em que pede dinheiro para o filme Dark Horse, que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo as investigações, Vorcaro enviou cerca de R$ 61 milhões ao exterior para financiar a produção.
Em nota, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), repetiu a estratégia usada por Flávio e também tentou associar o caso Master ao PT baiano. Segundo Marinho, a corrupção “está no DNA” do partido.
“A trajetória empresarial de Augusto Lima está ligada a estruturas econômicas desenvolvidas na Bahia durante o governo petista de Rui Costa, com a privatização da Ebal (Credcesta), tendo Jaques Wagner como então secretário de Desenvolvimento Econômico como um dos responsáveis pela operação”, escreveu.
Flávio também defendeu a reclassificação de facções criminosas, como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, a exemplo dos EUA.
O governo de Donald Trump resolveu reclassificar esses grupos, o que foi criticado por especialistas, após visita de Flávio à Casa Branca.
O pré-candidato à presidência pelo PL subiu ao palco acompanhado pelo senador Sergio Moro (PL-PR), pré-candidato ao Governo do Paraná, e pelo deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado.
As propostas incluem também o aumento no número de presídios e a criação de cinco novas instituições de segurança máxima no “modelo adotado por El Salvador”, na definição dada por Flávio.
“Prisão não é lugar de ressocializar ninguém. Prisão é lugar para que esse tipo de marginal perigoso fique preso. É lugar de punição”, disse.
O senador citou suas filhas, de 12 e 14 anos, para defender a castração química de estupradores. “Eu não consigo imaginar a dor de um pai ou a dor de uma mãe ou a dor de uma menina, de uma criança, que sofre esse tipo de violência.”
O projeto do pré-candidato bolsonarista também inclui a redução da maioridade penal, aumento de verbas para segurança pública e a implementação de um sistema nacional de câmeras com reconhecimento facial.
Em sua fala, Moro disse que o governo Lula não tem um projeto para a segurança pública, mas uma “coleção de anedotas”. Ele também defendeu o encarceramento em massa e a adoção de medidas como as implementadas em El Salvador.
O atual presidente salvadorenho, Nayib Bukele, ficou conhecido por reformas no sistema policial e jurídico. A gestão é criticada por suas tendências autocráticas e é alvo de denúncias por violação de direitos humanos. Em julho de 2025, o Legislativo salvadorenho, de maioria governista, aprovou uma alteração à Constituição que permite reeleições sucessivas.
Derrite, por sua vez, comemorou o fim da cracolândia e defendeu a vigilância de fronteiras e de portos e aeroportos para evitar a entrada e saída de drogas do Brasil.
O deputado defendeu o que chamou de asfixia financeira do crime organizado e lembrou o fato de o evento acontecer no coração financeiro de São Paulo, a avenida Faria Lima. “Nós confiamos no mercado financeiro brasileiro”, disse. O evento aconteceu no Teatro B32.
Flávio complementou dizendo que a política de segurança pública também é para “pessoas que têm dinheiro” e não só para os pobres.
O programa de segurança pública da campanha do senador tem o nome de “Brasil Sem Medo”.
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VEJA PONTOS DO PROGRAMA DE FLÁVIO PARA SEGURANÇA PÍBLICA
– Equiparar facções criminosas a organizações terroristas
– Reduzir a maioridade penal para 14 anos
– Criar uma ‘tropa de elite’ das Forças Armadas para atuar nas fronteiras
– Construir cinco presídios de segurança máxima no ‘estilo El Salvador’
– Instituir castração química para condenados por estupro
– Ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas em medidas protetivas
– Reforçar a fiscalização dos portos de Santos e Paranaguá pela Marinha
– Aumentar os investimentos em segurança pública
– Implantar a ‘Muralha Brasileira’, sistema nacional de reconhecimento facial
– Direcionar auxílio financeiro às vítimas, em vez de familiares de detentos
– Acabar com a progressão de regime para crimes hediondos
– Intensificar o combate ao furto e à revenda de celulares roubados








