Antônio Borges, açougueiro: “Quase ninguém pede, mas é o corte que eu levo para casa no fim de semana porque rende o dobro e custa metade”

Corte pouco lembrado no balcão pode surpreender quem busca carne saborosa, versátil e com bom rendimento para o almoço de fim de semana

Layne Brito -
Quase ninguém pede, mas é o corte que eu levo para casa no fim de semana
(Foto: Reprodução/Pexels)

Na hora de comprar carne para o fim de semana, muita gente já chega ao açougue com o pedido pronto. Picanha, contrafilé, alcatra, maminha e fraldinha costumam ser os nomes mais lembrados por quem quer preparar uma refeição mais caprichada.

O problema é que os cortes mais famosos nem sempre cabem no orçamento.

E, quando o preço aperta, muita gente acaba levando uma carne mais simples sem saber que existe uma opção escondida no balcão, conhecida justamente por quem trabalha todos os dias com isso.

Segundo Antônio Borges, açougueiro, há um corte que passa despercebido pela maioria dos clientes, mas costuma ser escolha certa para quem entende de rendimento e sabor.

“Quase ninguém pede, mas é o corte que eu levo para casa no fim de semana porque rende o dobro e custa metade”, afirma.

O segredo está em uma carne retirada da parte dianteira do boi, que muita gente ignora por não conhecer o nome ou por achar que cortes dianteiros servem apenas para panela.

A carne é a raquete bovina, também conhecida em alguns lugares como miolo da paleta.

Apesar de não ter a mesma fama dos cortes nobres, a raquete é uma peça bastante versátil.

Ela pode ser usada em bifes, assados, grelhados, tiras aceboladas e até receitas de panela. Quando bem limpa e cortada da forma correta, entrega maciez e sabor sem exigir muito segredo no preparo.

Um dos motivos para o corte render bem é que ele costuma ter boa quantidade de carne aproveitável. Por ser uma peça sem osso e com pouca perda, acaba sendo interessante para quem quer servir mais pessoas gastando menos.

Na comparação com cortes mais conhecidos, a raquete pode sair mais em conta e ainda entregar um resultado muito satisfatório, especialmente quando o açougueiro prepara a peça do jeito certo.

Para grelhar, a dica é pedir bifes mais altos ou medalhões, evitando cortes finos demais.

Assim, a carne consegue dourar por fora sem ressecar rapidamente por dentro. Sal, pimenta-do-reino, alho e um fio de azeite já são suficientes para valorizar o sabor.

Na panela, a raquete também funciona bem. Cortada em cubos, ela absorve temperos, ganha maciez com o cozimento e combina com cebola, tomate, pimentão, cheiro-verde, batatas ou mandioca.

Outro ponto importante é conversar com o açougueiro. Como nem todo consumidor pede a raquete pelo nome, em alguns lugares ela pode ficar junto aos cortes da paleta.

Por isso, vale perguntar diretamente se há miolo da paleta disponível e pedir para limpar a peça conforme o preparo desejado.

A carne também pode ser uma boa alternativa para quem quer variar o cardápio sem depender sempre dos mesmos cortes.

Em vez de gastar mais com nomes famosos, o consumidor leva uma peça menos disputada, mas com ótimo potencial na cozinha.

No fim, a dica mostra que o balcão do açougue guarda opções que muita gente ainda não descobriu.

Para quem quer economizar, render mais e preparar uma carne saborosa no fim de semana, a raquete bovina pode ser uma escolha certeira.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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