Antônio Borges, açougueiro: “Quase ninguém pede, mas é o corte que eu levo para casa no fim de semana porque rende o dobro e custa metade”
Corte pouco lembrado no balcão pode surpreender quem busca carne saborosa, versátil e com bom rendimento para o almoço de fim de semana

Na hora de comprar carne para o fim de semana, muita gente já chega ao açougue com o pedido pronto. Picanha, contrafilé, alcatra, maminha e fraldinha costumam ser os nomes mais lembrados por quem quer preparar uma refeição mais caprichada.
O problema é que os cortes mais famosos nem sempre cabem no orçamento.
E, quando o preço aperta, muita gente acaba levando uma carne mais simples sem saber que existe uma opção escondida no balcão, conhecida justamente por quem trabalha todos os dias com isso.
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Segundo Antônio Borges, açougueiro, há um corte que passa despercebido pela maioria dos clientes, mas costuma ser escolha certa para quem entende de rendimento e sabor.
“Quase ninguém pede, mas é o corte que eu levo para casa no fim de semana porque rende o dobro e custa metade”, afirma.
O segredo está em uma carne retirada da parte dianteira do boi, que muita gente ignora por não conhecer o nome ou por achar que cortes dianteiros servem apenas para panela.
A carne é a raquete bovina, também conhecida em alguns lugares como miolo da paleta.
Apesar de não ter a mesma fama dos cortes nobres, a raquete é uma peça bastante versátil.
Ela pode ser usada em bifes, assados, grelhados, tiras aceboladas e até receitas de panela. Quando bem limpa e cortada da forma correta, entrega maciez e sabor sem exigir muito segredo no preparo.
Um dos motivos para o corte render bem é que ele costuma ter boa quantidade de carne aproveitável. Por ser uma peça sem osso e com pouca perda, acaba sendo interessante para quem quer servir mais pessoas gastando menos.
Na comparação com cortes mais conhecidos, a raquete pode sair mais em conta e ainda entregar um resultado muito satisfatório, especialmente quando o açougueiro prepara a peça do jeito certo.
Para grelhar, a dica é pedir bifes mais altos ou medalhões, evitando cortes finos demais.
Assim, a carne consegue dourar por fora sem ressecar rapidamente por dentro. Sal, pimenta-do-reino, alho e um fio de azeite já são suficientes para valorizar o sabor.
Na panela, a raquete também funciona bem. Cortada em cubos, ela absorve temperos, ganha maciez com o cozimento e combina com cebola, tomate, pimentão, cheiro-verde, batatas ou mandioca.
Outro ponto importante é conversar com o açougueiro. Como nem todo consumidor pede a raquete pelo nome, em alguns lugares ela pode ficar junto aos cortes da paleta.
Por isso, vale perguntar diretamente se há miolo da paleta disponível e pedir para limpar a peça conforme o preparo desejado.
A carne também pode ser uma boa alternativa para quem quer variar o cardápio sem depender sempre dos mesmos cortes.
Em vez de gastar mais com nomes famosos, o consumidor leva uma peça menos disputada, mas com ótimo potencial na cozinha.
No fim, a dica mostra que o balcão do açougue guarda opções que muita gente ainda não descobriu.
Para quem quer economizar, render mais e preparar uma carne saborosa no fim de semana, a raquete bovina pode ser uma escolha certeira.
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