Aos 17 anos, estudante cria bactérias que formam uma película sobre o gelo para frear o degelo do Ártico e ganha bolsa de R$ 250 mil

Projeto premiado nos EUA aposta em biotecnologia para refletir a luz solar e proteger geleiras, mas ainda depende de testes

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Aos 17 anos, estudante cria bactérias que formam uma película sobre o gelo para frear o degelo do Ártico e ganha bolsa de R$ 250 mil
(Foto: Reprodução/Davidson Institute)

Uma ideia criada por um adolescente nos Estados Unidos chamou atenção por tentar enfrentar um dos efeitos mais visíveis das mudanças climáticas. Aos 17 anos, Justin Bernstein desenvolveu um projeto de bioengenharia que usa bactérias modificadas para aumentar a reflexão da luz solar sobre o gelo do Ártico.

A proposta rendeu ao jovem uma bolsa de US$ 50 mil do programa Davidson Fellows, uma premiação voltada a estudantes de destaque em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Apesar do impacto da ideia, o projeto ainda está no campo da pesquisa. Ou seja, não se trata de uma tecnologia já aplicada em larga escala no Ártico.

Como funciona a ideia

A lógica parte de um problema conhecido pelos cientistas. Quando o gelo branco derrete, ele dá lugar a superfícies mais escuras, como água ou rocha, que absorvem mais calor. Isso acelera ainda mais o derretimento.

Para tentar quebrar esse ciclo, Bernstein trabalhou com uma bactéria adaptada a ambientes gelados. Ela foi modificada com genes de diatomáceas, algas capazes de produzir sílica, material popularmente associado ao vidro.

A ideia é que essas bactérias produzam uma camada refletiva sobre o gelo. Assim, a superfície absorveria menos calor e poderia derreter mais lentamente.

Ainda há desafios

O próprio projeto foi apresentado como uma alternativa de baixo custo e autossustentável, já que os microrganismos poderiam se reproduzir e continuar produzindo sílica ao longo dos ciclos de congelamento e degelo.

Mesmo assim, especialistas costumam tratar propostas desse tipo com cautela. A liberação de organismos geneticamente modificados em um ecossistema sensível exigiria anos de testes, avaliações ambientais e regras rígidas de segurança.

Por isso, a descoberta não deve ser vista como solução pronta para a crise climática. O mérito está em abrir uma nova frente de pesquisa e mostrar como jovens cientistas podem propor caminhos criativos para problemas globais.

Para Bernstein, o reconhecimento também marca o início de uma trajetória científica promissora. Atualmente, ele segue os estudos na Universidade Yale, uma das instituições mais prestigiadas dos Estados Unidos.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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