Dois irmãos abandonaram a aposentadoria para não deixar a granja da família fechar e hoje vivem apenas da criação de frangos

Depois de quase quatro décadas longe do campo, dois irmãos decidiram recomeçar do zero, enfrentaram dificuldades para conseguir crédito e transformaram uma pequena propriedade em um negócio de destaque

Daniella Bruno -
A criação de frangos permitiu que dois irmãos recuperassem o legado da família, superassem desafios financeiros e construíssem uma nova fonte de renda no campo
(Imagem: Reprodução/Canal Rural)

A sucessão familiar representa um dos maiores desafios do agronegócio brasileiro.

Em muitas propriedades, os herdeiros deixam o campo em busca de oportunidades nas cidades, enquanto pequenas áreas rurais enfrentam dificuldades para permanecer economicamente viáveis.

Ao mesmo tempo, novas tecnologias e modelos de produção mostram que é possível transformar esse cenário e manter o patrimônio da família ativo.

Além disso, investir em atividades de maior rentabilidade tornou-se uma alternativa para quem deseja preservar a história da propriedade sem abrir mão da sustentabilidade financeira.

Dessa forma, planejamento, inovação e boas parcerias permitem que produtores reinventem seus negócios e encontrem novas oportunidades de crescimento, mesmo em áreas consideradas pequenas para a agricultura tradicional.

Foi exatamente esse caminho que os irmãos Ronaldo e Rogério Cano escolheram ao se aposentarem.

Depois de quase 40 anos trabalhando no setor elétrico, eles decidiram retornar ao Sítio Dois Irmãos, em Nuporanga (SP), para impedir que a propriedade herdada dos pais e dos avós deixasse de produzir.

No entanto, eles perceberam rapidamente que precisariam mudar a estratégia. Como a área era pequena, o cultivo de soja e milho não oferecia retorno suficiente para sustentar o projeto.

Por isso, analisaram as oportunidades da região e identificaram na criação de frangos de corte uma atividade mais rentável, favorecida pela proximidade com o frigorífico da Seara JBS.

Falta de crédito exigiu uma nova estratégia

O planejamento estava pronto, mas outro desafio surgiu logo no início. Os bancos recusaram os primeiros pedidos de financiamento porque o tamanho da propriedade não oferecia garantias suficientes para liberar os recursos destinados à construção dos aviários.

Mesmo assim, os irmãos seguiram em frente. Então, formaram uma sociedade com o cunhado Leandro e com o amigo de infância Marcelo, que decidiu investir no projeto.

Assim, a parceria garantiu o capital necessário para tirar a granja do papel em 2025.

Divisão de funções fortaleceu o negócio

Depois de estruturarem a sociedade, cada integrante assumiu uma função de acordo com sua experiência.

Rogério passou a cuidar do manejo diário das aves e da operação dos galpões automatizados. Enquanto isso, Ronaldo ficou responsável pela administração financeira e pela parte burocrática.

Já Leandro assumiu a compra de insumos, o relacionamento com fornecedores e a manutenção pesada.

Marcelo, por sua vez, permaneceu como investidor e apoiador das decisões estratégicas.

Com essa organização, a equipe conseguiu otimizar o trabalho e aumentar a eficiência da produção desde os primeiros meses.

Tecnologia acelerou os resultados

Embora não tivessem experiência anterior na avicultura, os irmãos precisaram aprender rapidamente.

Nos primeiros lotes, os sistemas automatizados enviavam informações constantes sobre temperatura, ventilação, alimentação e desempenho das aves.

Consequentemente, eles passaram várias noites acompanhando os indicadores para entender o funcionamento da granja.

Com o passar do tempo, a dedicação trouxe resultados. Ao priorizarem o manejo adequado, o controle da ambiência e o monitoramento diário dos dados, eles elevaram o desempenho da produção.

Como resultado, a granja passou a figurar entre os dez melhores lotes em eficiência de toda a integração regional.

Planos vão além da rentabilidade

Além do retorno financeiro, o projeto aproximou novamente a família da vida no campo. Inclusive, os filhos de Rogério já participam da rotina dos aviários e aprendem, desde cedo, como funciona a produção, fortalecendo a sucessão familiar.

Agora, os sócios pretendem quitar todo o investimento em um prazo estimado entre oito e nove anos.

Depois disso, planejam construir mais dois aviários modernos para ampliar a produção destinada ao mercado de exportação.

Assim, o que começou como uma tentativa de preservar o legado da família tornou-se um empreendimento promissor, com perspectivas de crescimento e continuidade para as próximas gerações.

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Daniella Bruno

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO do Portal 6, em Goiânia. Atua na produção e otimização de conteúdos digitais, com foco em matérias soft sobre comportamento, curiosidades e temas do cotidiano.

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