Casal abre mão da festa de casamento, cria academia para idosos e hoje comanda rede que fatura R$ 2 milhões
Casal trocou a festa de casamento por uma academia terapêutica para idosos e hoje comanda uma rede milionária

Um dia antes de subir ao altar, um casal do interior da Bahia tomou uma decisão que mudaria o rumo da vida dos dois.
Em vez de gastar com a festa de casamento, eles apostaram todo o dinheiro em um sonho: uma academia diferente de tudo o que existia na cidade.
Os protagonistas dessa história são o fisioterapeuta Marcos Jader, de 51 anos, e a enfermeira e administradora Marília Portugal, de 43. Juntos, eles fundaram em 2017, em Itabuna (BA), a Reativare, uma academia terapêutica voltada para idosos e pessoas com doenças crônicas.
O que começou pequeno virou negócio de peso. Nove anos depois, a rede soma quatro unidades, mais de mil alunos ativos e faturou cerca de R$ 2 milhões em 2025, com projeção de chegar a R$ 3,5 milhões em 2026.
A ideia que nasceu dentro da clínica
A semente do negócio brotou da rotina de Jader em clínicas de ortopedia e traumatologia.
Ele reparava em um padrão frustrante: pacientes idosos melhoravam das dores no joelho, no quadril e na coluna, mas voltavam a sentir os mesmos incômodos pouco tempo depois da alta.
O motivo era a falta de continuidade no fortalecimento muscular. “Percebia no dia a dia da clínica que a gente melhorava a dor desses clientes, só que, pouco tempo depois, a dor voltava”, contou o fisioterapeuta.
Para ele, as academias tradicionais não tinham estrutura nem equipe preparada para receber esse público.
Foi esse espaço vazio que o casal decidiu ocupar, com um modelo pensado para idosos e para quem convive com diagnósticos como fibromialgia, hipertensão e diabetes.
O casamento que se transformou em academia
Batizado no início como Reative, o negócio abriu as portas no fim de 2017 com um investimento entre R$ 200 mil e R$ 250 mil, bancado com recursos do próprio casal. E a origem desse dinheiro é o coração da história.
Boa parte veio de uma ação trabalhista de Jader, que levou sete anos para ser julgada e caiu na conta dos dois exatamente um dia antes do casamento.
Diante da escolha entre a festa e o projeto de vida, eles não hesitaram: o valor que seria da celebração foi direto para os equipamentos da academia.
O baque da pandemia e a virada
O crescimento, porém, não veio em linha reta. A pandemia interrompeu o ritmo e quase colocou tudo a perder, a ponto de a academia chegar a ter apenas 17 alunos ativos em seu momento mais crítico.
Foi aí que a proposta terapêutica mostrou sua força. Unindo musculação terapêutica, exercícios funcionais, estímulo cognitivo e acompanhamento nutricional, a Reativare reconquistou o público e retomou a curva de crescimento, atraindo justamente quem não se sentia acolhido nas academias comuns.
O conceito ganhou até identidade própria, resumida no lema estampado nas camisas da equipe: “Reativare para viver 100+”. A meta, afinal, é somar anos com qualidade de vida.
Uma rede de olho no mercado da longevidade
Hoje, o casal enxerga um horizonte muito maior do que a primeira unidade em Itabuna. O plano é ambicioso: chegar a até 15 unidades até o fim do ano e ampliar a marca como franquia por todo o país.
A aposta acompanha uma tendência demográfica poderosa. O Brasil já tem mais de 30 milhões de pessoas acima dos 60 anos, número que deve triplicar até 2050, segundo o IBGE.
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