Aos 56 anos, trabalhadora rural que mora à 7 horas de barco da cidade chorou diante do juiz ao saber que ganhou a aposentadoria rural do INSS e afirma que vai usar o benefício para construir a própria casa
História comovente revela desafios diários enfrentados longe dos centros urbanos em busca de direitos

A busca por um direito previdenciário terminou em emoção para a trabalhadora rural Benedita Câmara, de 56 anos, moradora da comunidade de Camarapi, no município de Portel, no Arquipélago do Marajó, no Pará.
Após enfrentar cerca de sete horas de viagem de barco até a cidade, ela recebeu a notícia de que teria direito à aposentadoria rural por idade durante uma audiência da Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal.
Ao ouvir a decisão do juiz federal Alex Lamy de Gouvêa determinando que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) implantasse o benefício, Benedita não conseguiu conter as lágrimas e afirmou que pretende utilizar a renda para construir a própria casa e garantir melhores condições de vida.
- Jogar um dente de alho no vaso sanitário: para que serve e por que é recomendado
- Aos 35 anos, brasileiro que há dez anos nem tinha passaporte entrou para o Guinness ao visitar 193 países do mundo em apenas 2 anos e 42 dias
- Colocar fita adesiva nas rodas da mala antes de cada viagem: o que significa e por que é recomendado
Segundo a Seção Judiciária do Pará, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), a agricultora contou que enfrentava dificuldades financeiras e via na aposentadoria uma oportunidade para deixar a situação de vulnerabilidade.
Durante o atendimento, ela agradeceu pelo trabalho realizado pela Justiça Itinerante e destacou a importância da iniciativa para moradores das comunidades ribeirinhas, que convivem diariamente com grandes distâncias e acesso limitado aos serviços públicos.
Em regiões como o Marajó, deslocamentos para resolver questões judiciais e previdenciárias podem exigir horas, ou até dias, de navegação pelos rios da Amazônia.
Justiça mais próxima
A decisão foi proferida durante a quarta edição da Justiça Itinerante Cooperativa na Amazônia Legal, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com o TRF1, o INSS e diversos órgãos públicos.
A ação levou atendimentos gratuitos aos municípios de Breves e Portel, oferecendo serviços como perícias médicas, audiências, conciliações e análise de pedidos relacionados à aposentadoria rural e urbana, benefícios por incapacidade, salário-maternidade, pensão por morte, auxílio-acidente e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O objetivo é reduzir as barreiras enfrentadas por populações que vivem longe das unidades permanentes da Justiça Federal.
Impacto na comunidade
Além de garantir renda mensal à trabalhadora, a sentença representa uma mudança concreta em sua rotina e reforça o papel das ações itinerantes na ampliação do acesso à Justiça em áreas isoladas da Amazônia.
De acordo com o balanço divulgado pelo TRF1, a edição de 2026 realizou centenas de audiências e concedeu benefícios previdenciários a moradores da região, evitando que muitos precisassem repetir longas viagens para acompanhar seus processos.
Para Benedita, a aposentadoria significa mais do que um benefício financeiro: representa a possibilidade de construir uma moradia própria, assegurar o sustento da família e viver com mais dignidade após anos dedicados ao trabalho no campo.
Confira mais detalhes:
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!






