O sofrimento de um animal indefeso é um chamado à nossa consciência

A violência não começa nos grandes atos. Ela nasce quando pequenas crueldades são tratadas como brincadeira

Seliane Seliane da SOS -
O sofrimento de um animal indefeso é um chamado à nossa consciência
(Foto: Reprodução)

As imagens de uma criança tentando afogar um cachorro em Lisboa despertaram revolta em milhares de pessoas. E não poderia ser diferente. Quando um animal luta para sobreviver diante da crueldade humana, algo em nós também se afoga: a esperança de que estamos formando uma geração mais consciente.

Mas, diante de casos como esse, existe uma pergunta que me parece mais importante do que qualquer outra: onde a empatia se perdeu?

É comum ouvirmos que crianças “não sabem o que fazem”. Eu discordo em parte. Crianças aprendem todos os dias. Aprendem pelo exemplo, pelo silêncio dos adultos e pela forma como enxergam o mundo dentro de casa. Se aprendem a cuidar, tornam-se cuidadoras. Se aprendem que a dor do outro não importa, carregam essa indiferença para a vida.

Respeitar os animais nunca foi apenas sobre proteger cães e gatos. É sobre formar pessoas capazes de reconhecer que toda vida merece dignidade. Quem entende o sofrimento de um ser indefeso dificilmente encontrará prazer em causar dor, seja a um animal ou a um semelhante.

A violência não começa nos grandes atos. Ela nasce quando pequenas crueldades são tratadas como brincadeira, quando o sofrimento vira entretenimento e quando a falta de limites é confundida com liberdade.

Aprendi que o resgate mais importante nem sempre é o de um animal abandonado. Muitas vezes, é o resgate dos valores que estamos deixando para trás.

Ainda há tempo de ensinar nossas crianças que força existe para proteger, nunca para machucar. E talvez essa seja a maior herança que podemos deixar para a próxima geração.

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