Anápolis 119 anos: como a cidade se tornou um dos maiores polos universitários de Goiás antes da chegada da UFG

Da primeira faculdade inaugurada em 1961 à conquista do campus da Universidade Federal de Goiás, ensino superior acompanhou o desenvolvimento econômico e populacional do município

Lara Duarte -
Universidade Federal de Goiás (UFG)
Reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG). (Foto: Divulgação)

Anápolis completa 119 anos com uma marca que ajudou a transformar o município em referência: a educação superior.

O que começou com uma única faculdade, no início da década de 1960, evoluiu para um dos principais polos universitários de Goiás, reunindo instituições públicas e privadas, milhares de estudantes e cursos em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Agora, essa trajetória se aproxima de um novo capítulo. Após décadas de reivindicações, a cidade se prepara para receber o primeiro campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), um projeto que representa a concretização de um sonho antigo e amplia ainda mais a importância de Anápolis no cenário acadêmico estadual.

A história do ensino superior no município começou em 1961, com a criação da Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão (FFBS), considerada a primeira instituição de ensino superior da cidade.

A faculdade foi criada pela Associação Educativa Evangélica (AEE), mantenedora da atual Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA).

A aula inaugural ocorreu em 04 de abril daquele ano e marcou o início da formação universitária em Anápolis.

Pouco depois, entre 1961 e 1962, foi criada a Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis (Facea), instituição que desempenhou papel decisivo na expansão da educação superior local.

Em 1990, a Facea foi transformada na Universidade Estadual de Anápolis (Uniana) e, nove anos mais tarde, tornou-se a base para a criação da Universidade Estadual de Goiás (UEG), que mantém até hoje sua sede administrativa na cidade.

A própria AEE continuou expandindo sua atuação, criando a Faculdade de Direito de Anápolis, em 1968, e a Faculdade de Odontologia João Prudente, em 1971.

Em 1993, as faculdades mantidas pela associação foram unificadas, dando origem às Faculdades Integradas da Associação Educativa Evangélica (FAEE), embrião da atual UniEVANGÉLICA.

Nas décadas seguintes, Anápolis ampliou rapidamente sua estrutura universitária.

A Faculdade Católica de Anápolis iniciou suas atividades em 1995. Nos anos 2000 chegaram a Faculdade Anhanguera, a Fibra, a Faculdade de Tecnologia Senai Roberto Mange, a Faculdade Evangélica Raízes, a Faculdade GAP e, posteriormente, a Faculdade Metropolitana de Anápolis (FAMA).

A Faculdade Evangélica Raízes passou a integrar a AEE em 2005, após a aquisição da Sociedade Raízes pela instituição.

O município também passou a contar com um polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), em 2009, além do campus do Instituto Federal de Goiás (IFG), inaugurado em 2010.

Ao longo desse período, instituições tradicionais também cresceram. Em 2004, a então UniEVANGÉLICA tornou-se centro universitário.

Em 2021, além de conquistar o credenciamento como universidade, a AEE incorporou a tradicional Escola de Enfermagem Florence Nightingale, fundada em 1933, ampliando sua atuação na formação de profissionais da área da saúde. Já a FAMA passou a ser centro universitário em 2024.

O sonho da Universidade Federal

Apesar do crescimento do setor, um objetivo permaneceu presente durante décadas: a instalação de uma universidade federal em Anápolis.

Segundo o presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Câmara Municipal, vereador Professor Marcos, em entrevista ao Portal 6, a reivindicação acompanha a cidade desde que a UFG iniciou sua expansão para o interior de Goiás.

“Desde o surgimento da UFG e do início da sua expansão para o interior de Goiás, a cidade de Anápolis sempre teve a expectativa de ter um campus da Universidade Federal aqui. É uma luta antiga e que começa a se consolidar”, afirmou.

A expectativa aumentava à medida que outros municípios recebiam unidades da universidade.

“Nós tivemos campi em Jataí e Catalão, que hoje são universidades federais próprias, além de unidades na cidade de Goiás, Caldas Novas e Cidade Ocidental. Então surgiu o questionamento: por que Anápolis, que é o terceiro maior município em população e o segundo em importância econômica de Goiás, ainda não tinha um campus federal?”, disse Marcos.

Embora a cidade tenha protagonizado diversas mobilizações desde a década de 1960, o projeto nunca saiu do papel.

Reportagens históricas registram tentativas de federalização da antiga Facea e até propostas para criação de uma Universidade Federal de Anápolis, mas nenhuma avançou.

Extrato do Correio do Planalto, de 1982, que trata sobre o projeto da fundação da Federal de Anápolis. (Foto: Arquivo Pessoal/@anapolisnarede)

Extrato do Correio do Planalto, de 1982, que trata sobre o projeto da fundação da Federal de Anápolis. (Foto: Arquivo Pessoal/@anapolisnarede)

Projeto começa a sair do papel

O projeto da Universidade Federal em Anápolis começou a ganhar forma nos últimos anos. O avanço foi oficializado em 14 de outubro de 2025, quando Rubens Otoni anunciou, durante visita à Câmara Municipal de Anápolis, que a cidade finalmente receberia um campus da UFG.

Na ocasião, o parlamentar informou que a universidade já dispunha de uma área superior a 100 mil metros quadrados destinada ao projeto e afirmou que passaria a trabalhar na captação de recursos federais para viabilizar a construção.

Durante o anúncio, Otoni também destacou que a conquista fazia parte de uma articulação construída ao longo de vários anos.

Segundo Professor Marcos, o terreno destinado ao campus fica na Avenida Brasil Sul, ao lado do Centro de Convenções e nos fundos do Seminário Regina Minore, uma localização considerada estratégica para a integração da universidade com outras instituições de ensino e pesquisa já existentes na cidade.

Mapa do futuro campus da UFG em Anápolis. (Foto: Arquivo Pessoal/Marcos Carvalho)

Pesquisa e inovação como prioridade

Ao contrário de outros campi da UFG, a unidade de Anápolis nascerá com uma vocação voltada à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

O objetivo é aproveitar a força econômica do município e sua proximidade com o Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), especialmente o Polo Farmacêutico.

“O primeiro foco é que o campus abrigue um Centro de Pesquisa e Inovação, algo inédito no Centro-Oeste, voltado para a área de farmacômica, em diálogo com o Daia e com o Polo Farmacêutico”, explica Professor Marcos.

A proposta prevê que, em um primeiro momento, sejam ofertados cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, além de programas de residência e projetos de pesquisa.

As graduações deverão ser implantadas posteriormente, conforme a ampliação da estrutura física e a chegada de novos investimentos.

Complemento às instituições já existentes

Apesar da chegada da Universidade Federal, Professor Marcos ressalta que o objetivo não é disputar espaço com instituições já consolidadas em Anápolis, como a UEG e o Instituto Federal de Goiás (IFG).

“A universidade chega para atender áreas que ainda não são contempladas pela UEG e pelo IFG, mas também para alinhar o diálogo, compartilhar espaços, desenvolver pesquisas e construir políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do município”, explicou.

Segundo ele, a integração entre as instituições permitirá fortalecer ainda mais a produção científica e tecnológica da cidade, ampliando oportunidades para estudantes e pesquisadores.

A instituição concluiu em maio o processo de seleção da empresa responsável pelo serviço, que será a Cima Engenharia Ltda, de Goiânia, com um contrato avaliado em R$ 410.398,79.

Segundo o vereador, a expectativa é que a obra com as primeiras salas sejam entregues em 2027.

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Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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