Por que o Jornal Nacional escolheu Pirenópolis e não Rio Verde para falar de agronegócio em Goiás

Cidade é mais conhecida pelo turismo religioso, ambiental e gastronômico, sendo destino comum para quem procura Cavalhadas ou cachoeiras

Natália Sezil Natália Sezil -
Pirenópolis Suíça Goiana encanta com cachoeiras, arquitetura histórica e fica a poucas horas de Brasília e Goiânia.
Pirenópolis completa 300 anos em 2027. (Foto: Goiás Turismo)

Goiás ganhou atenção nacional na última terça-feira (18). O estado virou cenário de debate durante um programa do Jornal Nacional que precede as eleições.

O quadro “JN nas Ruas: Brasil que ensina” discute temas relevantes antes do pleito de outubro em uma série de reportagens. Para falar sobre agronegócio e desenvolvimento sustentável, escolheu visitar Pirenópolis.

Em um primeiro vislumbre, a lista conversava apenas parcialmente com o perfil meia-pontense – enquanto o turismo depende majoritariamente das características ambientais, Pirenópolis encara o agronegócio como algo somente complementar, como explica a secretária de Turismo, Helga Jaime.

A titular contou ao Portal 6 que a principal parcela do setor atualmente é o ecoturismo, dividindo espaço com eventos religiosos, festas nos povoados, cultura e gastronomia.

Ela define: “o agronegócio também aparece, mas nunca iremos comparar com Rio Verde. Cada cidade tem a sua peculiaridade”. O município mencionado é considerado a “capital do agronegócio” em Goiás, referência nacional.

A posição de líder absoluta, sendo a maior produtora de soja do estado e a segunda maior de grãos no país, logo levantou questionamentos. Pirenópolis seria, de fato, a melhor escolha para tratar do assunto entre tantas opções de relevância em Goiás?

Leonardo Ferraz, economista e mestrando em Sustentabilidade e Agronegócio, explica que a decisão faz sentido, mesmo que a cidade se destaque mais “às escondidas”.

Leonardo Ferraz é economista e professor. (Foto: Arquivo pessoal)

Ele avalia que, com características tão fortes do setor em Goiás, a maioria dos municípios costuma ter algum nível de envolvimento econômico na área.

Uma das justificativas é a ampla cadeia que acompanha o segmento, que inclui prestação de serviços, venda de insumos, logística de distribuição e transportes, até chegar ao consumidor final. “É uma cadeia que está muito interligada”, pontua.

Por isso, lugares que recebem muitos turistas também conseguem se encontrar no agronegócio.

“O primeiro ponto que os turistas vão procurar na região vai ser o restaurante, a pousada, o comércio local. Vão ser as feiras, porque tendem de imediato a provar a culinária local. É justamente aí que o agronegócio entra em cena”, detalha.

Nesse momento, as grandes lavouras de soja (que tanto ilustram Goiás para o Brasil) dão lugar à produção artesanal. O setor se torna uma forma de produzir itens que serão comercializados diretamente aos turistas, em vez de exportados como commodities.

Leonardo afirma que é através do que é produzido no ambiente regional, e distribuído pelo comércio local, que serão feitos os queijos e geleias artesanais, por exemplo. Ele avalia que o pequeno e o grande produtor se complementam nesse cenário, ambos atuando para impulsionar o turismo.

O profissional ilustra as afirmações com dados: traz à tona uma pesquisa do Instituto Mauro Borges de 2021, que apontava que o Produto Interno Bruto (PIB) de Pirenópolis conseguia conciliar os dois setores, com cerca de 33% sendo resultado dos serviços e aproximadamente 31% vindo da atividade agropecuária.

Destaca que a parceria poderia aparecer, inclusive, nas próprias hospedagens. Isso porque algumas propriedades reúnem ambas as áreas na venda de “experiências”.

Sinônimo de crescimento?

Com o Centro Histórico bem desenhado e as casas ainda pitorescas mantidas como patrimônio material, Pirenópolis pode parecer um retrato de uma cidade que parou no tempo.

A sensação resgata centenários de histórias, que começaram ainda no ciclo do ouro, no século XVIII. Helga descreve que o município “é o berço da cultura goiana. Hoje, é a cara do estado”.

Os vestígios do passado ainda podem ser vistos – a mineração, por exemplo, nunca parou. Acabou incorporada às outras características marcantes da cidade, com as pedreiras quase dividindo espaço com as cachoeiras.

Mesmo assim, a secretária defende que o município nunca parou de avançar. “Se fosse parada no tempo, nós não receberíamos mais de 1 milhão de turistas aqui na cidade por ano”, afirma.

O perfil é reconhecido até mesmo pelo Ministério do Turismo, que apontou Pirenópolis como a terceira cidade goiana que mais recebeu visitantes em 2024. O ranking a fez conquistar a categoria mais alta do turismo nacional, ao lado de destinos como Fernando de Noronha e Gramado.

Para o futuro, Helga conta que estão trabalhando há cinco anos para se tornar um Destino Turístico Inteligente (DTI). O título é concedido àqueles que conseguem unir tecnologia e sustentabilidade.

“Nós nunca estamos parados, sempre queremos mais. Esse ano recebemos o título de sexta cidade mais acolhedora do mundo. Pirenópolis foi a única no Brasil”, relembra. E diz que a parte turística da cidade se mescla com a parcela cotidiana.

“Pirenópolis está sempre de portas abertas, tanto para o turista, quanto para o próprio pirenopolino. Com chuva você aproveita, com sol aproveita, fim de semana, durante a semana. Mesmo sendo turista, você se sente em casa”.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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