Cliente receberá indenização de R$ 8 mil após problemas na compra de iPhone em loja de Goiânia

Empresa também terá de restituir valor pago pela consumidora em reparo do aparelho

Lara Duarte Lara Duarte -
Perícia judicial descartou contato com água e identificou componente não original no aparelho levado à assistência técnica. (Foto: Ilustração/Tania Rêgo/Agência Brasil)
Perícia judicial descartou contato com água e identificou componente não original no aparelho levado à assistência técnica. (Foto: Matheus Araújo/Portal 6)

Uma loja de celulares de Goiânia foi condenada a devolver valores e pagar indenização por danos morais após negar a garantia de um iPhone 13 Pro Max e devolver o aparelho com peça paralela cuja identificação teria sido ocultada do sistema.

A decisão é da 27ª Vara Cível da Comarca de Goiânia e envolve um smartphone seminovo comprado por R$ 3,8 mil, com garantia contratual de 90 dias.

Segundo o processo, apenas duas semanas depois da compra, o aparelho começou a apresentar problemas na câmera.

A cliente procurou a assistência técnica da própria loja ainda dentro do prazo de garantia, mas recebeu a informação de que o celular teria tido contato com umidade, o que afastaria a cobertura.

Além disso, ela pagou R$ 300 por um reparo que, segundo a sentença, não solucionou o defeito.

Perícia contestou versão

Durante o processo, a empresa sustentou que o aparelho apresentava sinal de contato com líquido.

No entanto, a perícia judicial chegou a outra conclusão. O laudo apontou que o indicador de umidade estava intacto e que não havia sinais de oxidação ou presença de líquido na placa lógica.

A análise também identificou um módulo de câmera paralelo.

Segundo a perícia, havia ainda um dispositivo eletrônico ligado ao componente com a função de impedir que o sistema operacional exibisse o alerta de peça não reconhecida.

O laudo também apontou divergência no conector de carga e ausência de parafusos de fixação em outra parte interna do aparelho.

Justiça viu ocultação

Na sentença, o magistrado considerou que a situação ultrapassou um simples problema de consumo.

A decisão destacou que a cliente foi responsabilizada por um suposto contato com água que não ficou comprovado, pagou por um serviço que não resolveu o defeito e recebeu o aparelho com componente não original sem informação clara sobre a alteração.

A Justiça também considerou relevante o fato de a perícia ter identificado um mecanismo destinado a ocultar a peça paralela do sistema do celular.

Com a decisão, a loja deverá devolver os R$ 3,8 mil pagos pelo aparelho, mediante a devolução do iPhone.

A empresa também foi condenada a restituir em dobro os R$ 300 cobrados pelo reparo, totalizando R$ 600, além de pagar R$ 8 mil por danos morais.

O estabelecimento ainda deverá arcar com as custas processuais e honorários advocatícios fixados em 15% sobre o valor da condenação.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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