Ex-faxineiro do TJGO que começou a trabalhar ainda criança realiza sonho e se forma em Direito aos 50 anos

Francisco Patrício começou a graduação em 2008, mas precisou interromper o curso diversas vezes por conta de dificuldades financeiras

Natália Sezil Natália Sezil -
Ex-faxineiro do TJGO supera desafios, persiste e se forma em Direito aos 50 anos
Francisco Arnaldo Patrício se formou em Direito após longa caminhada. (Fotos: Arquivo Pessoal/Francisco Patrício/ Divulgação)

Concluir uma graduação é, na vida de muitas pessoas, um dos momentos mais marcantes que existem – e para Francisco Arnaldo Patrício, servidor do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), a conquista foi ainda mais especial.

Ele recebeu o diploma em Direito nesta terça-feira (1º), no auditório da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Colou grau aos 50 anos, depois de uma trajetória que começou em 2008 e foi marcada por idas e vindas, interrompida por dificuldades financeiras ao longo do tempo.

A história do servidor se iniciou, na verdade, no Ceará. Ele é natural de Iguatu, no interior do estado, onde começou a trabalhar ainda criança.

Precisou interromper os estudos na quarta série do ensino fundamental e, desde então, teve vários empregos. Saiu do Ceará em 1996, passou por São Paulo durante cerca de dois anos e, em 1998, chegou a Goiás.

Estabeleceu-se entre Goiânia e Aparecida de Goiânia para reconstruir a vida. Foi servente de pedreiro, trabalhou com serviços gerais e, em 2006, conseguiu uma vaga como faxineiro terceirizado no TJGO.

Naquela época, Francisco começava o expediente às 06h e seguia até às 16h. Foi ali que se interessou pelo Direito. Começou a estudar nos intervalos, quando tinha tempo disponível para ler os livros da área.

Depois de bater o ponto, seguia para a faculdade. Com o tempo, a falta de dinheiro se tornou um obstáculo para continuar no curso. Passou a contar com a ajuda de colegas: vendia rifas para conseguir pagar a matrícula e manter vivo o projeto.

Durante a graduação, o servidor mudou de emprego algumas vezes. Depois de faxineiro, foi porteiro, o que aliviou os problemas financeiros.

Em 2010, resolveu prestar concurso público. Foi aprovado em 2011 para trabalhar na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), e retornou ao TJGO em 2014 como servidor à disposição. Atualmente, é assistente judiciário.

Quando pensou em desistir de vez do Direito, Francisco encontrou apoio entre amigos, que o lembraram da trajetória já vivida e o incentivaram a continuar no caminho. Voltou à faculdade em 2025, decidindo que iria até o final.

Agora com o diploma em mãos, Francisco planeja continuar estudando, desta vez para prestar o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na sequência, os planos incluem se preparar para novos concursos, direcionados à área jurídica.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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