Goiás vai testar novo radar que calcula velocidade média dos veículos; entenda como funciona

Tecnologia também será avaliada em outros sete estados e, nesta fase experimental, não poderá gerar multas aos motoristas

Lara Duarte Lara Duarte -
Radar de velocidade média calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos para identificar a velocidade mantida ao longo do trecho. (Imagem: Reprodução/Prefeitura de Anápolis/Paulo de Tarso)
Radar de velocidade média calcula o tempo gasto pelo veículo entre dois pontos para identificar a velocidade mantida ao longo do trecho. (Imagem: Reprodução/Prefeitura de Anápolis/Paulo de Tarso)

Motoristas que costumam diminuir a velocidade apenas ao se aproximar de um radar poderão encontrar uma fiscalização diferente em Goiás.

Um sistema capaz de calcular a velocidade média dos veículos ao longo de determinado trecho será testado na BR-414/GO.

A iniciativa faz parte de um projeto-piloto autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em rodovias concedidas de oito estados brasileiros.

Por enquanto, porém, os equipamentos terão caráter experimental. Isso significa que a velocidade média registrada não poderá ser usada, sozinha, para aplicar multas ou outras penalidades.

Os locais escolhidos para os testes deverão informar aos condutores que o sistema está em avaliação.

Como o radar de velocidade média funciona

A principal diferença está na forma de fiscalização. Enquanto um radar convencional verifica a velocidade do carro exatamente no ponto em que ele passa pelo equipamento, o novo sistema acompanha o tempo gasto pelo motorista entre dois ou mais pontos de monitoramento.

No primeiro radar, o veículo é identificado e o horário da passagem fica registrado. Quando ele chega ao segundo ponto, o sistema compara o tempo transcorrido com a distância percorrida e, a partir desses dados, calcula a velocidade média mantida naquele trecho.

Em uma estrada com limite de 60 km/h, por exemplo, um veículo percorre, no máximo, 1 km por minuto se permanecer dentro desse limite. Assim, para percorrer 2,5 km, seriam necessários pelo menos dois minutos e 30 segundos.

Caso o mesmo percurso seja feito em menos tempo, a velocidade média terá ficado acima dos 60 km/h. Dessa forma, reduzir apenas diante de um equipamento e voltar a acelerar logo depois não impede que o excesso de velocidade ao longo do percurso seja identificado.

A velocidade máxima indicada pelas placas, portanto, continua valendo durante todo o trecho.

Onde será testado em Goiás

No estado, a tecnologia será avaliada em trechos da BR-414. O projeto deverá observar tanto o funcionamento dos equipamentos quanto a confiabilidade dos registros e o comportamento dos condutores diante desse tipo de fiscalização.

A autorização inicial prevê um período de 180 dias, que poderá ser prorrogado. Nesta etapa, o objetivo é reunir informações para avaliar uma possível utilização futura do modelo nas rodovias federais concedidas.

Experiências semelhantes já foram realizadas no país. Em Minas Gerais, por exemplo, um trecho de 11 km da BR-050, em Uberaba, já recebeu monitoramento por velocidade média com finalidade educativa.

Outros sete estados também terão testes

Além de Goiás, outras sete unidades da Federação foram incluídas no projeto. No Espírito Santo, os equipamentos serão testados em trechos da BR-101.

Em Mato Grosso do Sul, o projeto chegará à BR-163. Já em Minas Gerais terá testes nas BRs 050, 381, 040 e 116.

No Paraná, estão previstos trechos das rodovias PR-444, PR-862, BR-376, BR-163, BR-277 e PR-151. E no Rio de Janeiro, o sistema será experimentado na BR-101, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e na BR-116.

Já no Rio Grande do Sul, os testes serão realizados na BR-386. Por fim, Santa Catarina terá equipamentos em trechos da BR-101.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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