Saiba como agia o corretor de imóveis que aplicou golpe milionário em Goiânia e Anápolis

Suspeito teria desviado mais de R$ 1 milhão por meio da apropriação indevida de aluguéis e outros possíveis crimes

Ícaro Gonçalves Ícaro Gonçalves -
corretor preso por golpes
Roger foi preso na segunda-feira (28), suspeito pelos crimes de estelionato, apropriação indébita e associação criminosa (Fotos: Divulgação/PCGO)

Preso na segunda-feira (28), o empresário e corretor de imóveis Roger Kogi Tabata, de 57 anos, teria causado prejuízos a pelo menos seis vítimas em Goiânia e em outras cidades de Goiás.

Segundo a Polícia Civil (PC), o valores desviado dos clientes pode ultrapassar a quantia de R$ 1 milhão, por meio de golpes relacionados à apropriação indevida de aluguéis de imóveis de luxo e da retenção da entrada em compras de imóveis.

Roger é dono de uma imobiliária e, além da compra e venda de imóveis, ele também atuava na intermediação de locações. Em entrevista ao Mais Goiás, uma das vítimas relatou como conheceu o investigado e quando descobriu os desvios.

Amanda Guimarães Lima teria firmado contrato com a empresa de Roger para a locação do apartamento de uma das filhas, que fica no Jardim Goiás, em Goiânia.

Com o imóvel alugado, o vencimento foi definido para o dia 25 de cada mês. Entretanto, desde a primeira parcela, as proprietárias sofreram com atrasos.

A revelação do golpe veio somente no mês de agosto. Embora o corretor tenha negociado pagamentos mensais com as locatárias, ele fechou acordo de pagamento único e anual com o inquilino, apropriando-se da quantia.

“Ele pagava três a 12 dias depois. A gente não podia contar com esse dinheiro que é das minhas filhas, porque o apartamento é delas. Em agosto ele parou de pagar definitivamente”, disse Amanda ao Mais Goiás.

Além dos aluguéis adiantados, Roger também teria se apossado de outros R$ 5 mil referentes ao caução e seguro, sem fazer o repasse à família proprietária.

Para evitar que o plano fosse descoberto, o empresário estabelecia em contrato uma ‘cláusula do silêncio’, definindo que toda mediação deveria ser feita exclusivamente por ele.

Prisão

As primeiras denúncias foram feitas há aproximadamente três meses, quando a PC iniciou a operação denominada Broker Scamme.

Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado William Bretz informou que a estratégia de Roger era criar desculpas sucessivas às vítimas para ficar com o dinheiro.

“Ele dizia às proprietárias que o inquilino passava por um momento difícil, pra poder ganhar tempo e, através de artimanhas, estratagemas, buscar mais valores e eventualmente ir conseguindo mais e mais. E ir se enriquecendo assim”, afirmou.

Em uma pesquisa rápida feita na internet, é possível encontrar uma antiga construtora ligada ao nome de Roger Tabata. A situação cadastral da empresa, porém, foi definida como inapta em 2026 por omissão de declarações, quando o proprietário deixa de entregar obrigações à Receita Federal.

Com as diligências, o empresário foi preso no apartamento dele, no Jardim Goiás. Agora, ele pode responder pelos crimes de estelionato, apropriação indébita e associação criminosa.

Em nota, a defesa do empresário afirmou que inexiste, até o presente momento, condenação definitiva contra Roger. Disse ainda que já adota medidas judiciais cabíveis para assegurar o pleno exercício dos direitos e garantias constitucionais do investigado.

Confira, na íntegra, a nota da defesa de Roger Tabata:

“A defesa de Roger Kogi Tabata informa que recebeu com surpresa a decretação de sua prisão e já está adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o pleno exercício de seus direitos e garantias constitucionais. É importante esclarecer que as acusações divulgadas ainda serão devidamente apuradas no âmbito judicial, inexistindo, até o presente momento, condenação definitiva contra Roger.

Parte relevante das situações mencionadas envolve relações negociais e obrigações de natureza patrimonial que já vêm sendo discutidas nas vias judiciais próprias. Ao contrário da ideia de que Roger teria deliberadamente se apropriado de valores e posteriormente se esquivado de suas responsabilidades, a defesa esclarece que ele vem tratando individualmente as situações que lhe são apresentadas.

Quando procurado, tem prestado esclarecimentos, participado de tratativas para solução das pendências e constituído advogado para representá-lo nas demandas judiciais existentes. Roger não se ocultou nem abandonou deliberadamente as questões que lhe foram apresentadas.

Pelo contrário, vem comparecendo por intermédio de sua defesa aos processos instaurados e buscando soluções para as controvérsias existentes. Na compreensão da defesa, essa postura é incompatível com a narrativa de uma intenção previamente estabelecida de fraudar terceiros ou simplesmente obter vantagem e desaparecer sem assumir qualquer responsabilidade.

Quanto a alegação de que Roger teria causado prejuízo em vítimas após receber valor referente à entrada de compra de imóveis, tal informação não consta sequer na Decisão que decretou sua prisão. A defesa ainda não teve acesso integral aos autos, e o Roger nunca foi intimado para prestar esclarecimentos.

A defesa ressalta, ainda, que eventuais inadimplementos ou divergências decorrentes de relações contratuais devem ser analisados individualmente, considerando as circunstâncias específicas de cada caso, não sendo possível transformar automaticamente uma controvérsia patrimonial em ilícito criminal sem a demonstração dos elementos exigidos pela legislação penal.

Quanto à prisão, a defesa está analisando seus fundamentos e adotando as medidas processuais cabíveis. Existem aspectos relacionados à medida cautelar que serão questionados perante o Poder Judiciário, ambiente adequado para a discussão técnica acerca de sua legalidade e necessidade.

Roger permanece, por intermédio de sua defesa, à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários e confia que, com o avanço das investigações e a análise integral das provas, os fatos serão devidamente esclarecidos”.

José Vitor de Lima Neto – OAB/GO 49.207

Daniele Oliveira – OAB/GO 75.726

Emanuelly da Silva Carvalho – OAB/PR 136.452″

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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