Confúcio: “O homem superior possui igualdade e tranquilidade de espírito. O homem comum experimenta turbulência e inquietação”
Pensador chinês viveu há mais de 2.500 anos e influenciou profundamente a cultura, a política e a ética social do Oriente, com reflexos que ultrapassaram fronteiras

Meio milênio antes do nascimento de Cristo, nascia em Qufu, no antigo Estado de Lu, um homem que atravessaria séculos de história e moldaria a base moral de boa parte do Oriente. Seu nome era Kǒng Qiū, embora o mundo o conheça como Confúcio.
Filho de uma família nobre empobrecida, ele atuou como professor, pensador e artesão em um período marcado por instabilidade política e conflitos entre cidades-estado na antiga China.
Nesse contexto conturbado, Confúcio passou a desenvolver um conjunto de ideias voltadas à organização da vida social.
Assim, mais do que um filósofo no sentido ocidental clássico, ele se tornou um mestre de conduta, preocupado com a forma como os seres humanos se relacionam entre si, com a família e com o Estado.
Um pensamento que atravessou séculos
Embora jamais tenha escrito uma única linha, Confúcio deixou um legado duradouro. Seus ensinamentos foram preservados por discípulos e gerações posteriores, reunidos na obra conhecida como Lún Yǔ, ou Analectos.
Foi justamente por meio desses registros que sua filosofia se espalhou pela China e, posteriormente, alcançou o Ocidente.
Séculos depois, no século XVI, o missionário jesuíta Matteo Ricci apresentou o pensamento confucionista à Europa.
A partir desse contato, Confúcio passou a ser reconhecido como um dos grandes nomes da filosofia mundial, ao lado de figuras como Sócrates, com quem compartilha, inclusive, o fato de não ter deixado escritos próprios.
Os pilares do confucionismo
O confucionismo não é uma religião teísta, mas sim uma doutrina ética e moral. Seu eixo central está nos valores humanos, como a harmonia social, o respeito à hierarquia, a piedade filial e o equilíbrio nas relações.
Dessa forma, a filosofia propõe um modelo de convivência baseado no dever, na virtude e no autocontrole.
Além disso, os rituais desempenham papel fundamental nesse sistema. Eles não se limitam ao âmbito espiritual, mas se estendem à vida cotidiana, orientando o comportamento diante da família, dos anciãos, do Estado e da comunidade.
Assim, agir corretamente significa estar em sintonia com a ordem do Céu e com a sociedade.
O conceito do “homem superior”
Entre as ideias mais conhecidas de Confúcio está a distinção entre o “homem superior” e o “homem comum”. Segundo o pensador, o homem superior cultiva serenidade, equilíbrio interior e retidão moral.
Já o homem comum vive dominado pela inquietação, pelo desconforto e pelas paixões desordenadas.
Essa diferença não está ligada à origem social ou à riqueza, mas sim ao caráter.
Portanto, qualquer pessoa poderia aspirar à condição de homem superior, desde que buscasse aprimoramento moral contínuo e respeito às normas éticas.
Um legado que segue atual
Mesmo após mais de dois milênios, os ensinamentos de Confúcio continuam influentes.
Na China e em outros países do Leste Asiático, seus princípios ainda orientam comportamentos sociais, estruturas familiares e até decisões políticas.
Além disso, em um mundo marcado por conflitos, ansiedade e rupturas sociais, a busca pela tranquilidade de espírito e pela harmonia coletiva proposta por Confúcio segue despertando interesse.
Sua filosofia, assim, permanece viva não como um vestígio do passado, mas como uma reflexão permanente sobre como viver melhor em sociedade.
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