Trens camuflados eram usados para guardar mísseis nucleares que podiam chegar a 10 mil km de alcance e andavam por mais de 120 mil km de trilhos durante a Guerra Fria
Sistema criado pela União Soviética transformou a malha ferroviária em uma estratégia móvel de dissuasão nuclear, dificultando a identificação de lançamentos inimigos

Durante a Guerra Fria, a corrida armamentista levou as superpotências a buscar soluções capazes de garantir a sobrevivência de seus arsenais nucleares.
Nesse contexto, a União Soviética adotou uma das estratégias mais curiosas do período ao utilizar trens comuns para transportar mísseis balísticos intercontinentais.
Em vez disso, ao abandonar a dependência de silos fixos, facilmente localizados por satélites, o país espalhou seu poder de ataque ao longo de milhares de quilômetros de trilhos.
Com isso, reduziu o risco de perder todo o arsenal em um eventual primeiro ataque inimigo.
Como funcionava o sistema ferroviário nuclear
Os trens circulavam como comboios de carga convencionais e, ao mesmo tempo, não exibiam sinais externos que indicassem sua função estratégica.
Dentro desse cenário, os militares transportavam mísseis com alcance superior a 10 mil quilômetros, capazes de atingir alvos em outros continentes.
Além disso, a extensa malha ferroviária soviética, com mais de 120 mil quilômetros de trilhos, permitia rotas variadas e deslocamentos constantes.
Por isso, a mobilidade dificultava o rastreamento e aumentava a imprevisibilidade do sistema.
Quando necessário, o trem podia parar em trechos previamente preparados. Nesse momento, o vagão se estabilizava, o teto se abria e o míssil era posicionado na vertical para o lançamento, sem depender de bases fixas.
Com o fim da Guerra Fria, tratados internacionais reduziram os arsenais nucleares e tornaram o sistema politicamente sensível. Por fim, ao longo dos anos 2000, a União Soviética desativou os trens e encerrou definitivamente a estratégia.
Ainda hoje, o episódio permanece como um dos exemplos mais inusitados da engenharia militar do século 20, ao mostrar como estruturas civis chegaram a integrar estratégias de dissuasão nuclear.
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