Não é só o que você come: limitar o horário das refeições pode ajudar a preservar a memória, aponta estudo
Estudo avaliou como concentrar as refeições em poucas horas do dia pode influenciar habilidades cognitivas durante o envelhecimento
Concentrar as refeições em uma parte menor do dia pode trazer benefícios que vão além da perda de peso. Um estudo piloto sugere que reduzir a janela alimentar também pode favorecer algumas habilidades cognitivas em mulheres mais velhas, como a memória.
A pesquisa acompanhou 47 mulheres entre 50 e 79 anos, todas com sobrepeso ou obesidade. Durante seis meses, elas receberam orientação para consumir cerca de 500 calorias a menos por dia.
Parte das participantes manteve as refeições dentro de uma janela inferior a nove horas, geralmente entre 10h e 18h. O restante continuou comendo ao longo de aproximadamente 12 horas.
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O que mudou nos testes
Ao final do período, os dois grupos perderam, em média, cerca de 7 kg. Entretanto, as mulheres que restringiram os horários tiveram desempenho melhor em testes de planejamento espacial e resolução de problemas.
Elas também apresentaram tendência de cometer menos erros em atividades ligadas à memória e à aprendizagem. Essa diferença, porém, não atingiu significância estatística. Também não houve vantagem relevante nos testes de reação e realização de várias tarefas simultaneamente.
Segundo Sue Shapses, professora da Universidade Rutgers e responsável pelo estudo, os efeitos observados foram modestos. Ainda assim, os resultados indicam que horários mais concentrados podem oferecer ganhos adicionais aos proporcionados pelo emagrecimento.
Resultado exige cautela
Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que o horário das refeições poderia influenciar o cérebro. Entre as hipóteses estão o alinhamento com o relógio biológico, o controle da glicose, a saúde vascular e a redução de processos inflamatórios.
No entanto, o trabalho envolveu poucas participantes e avaliou somente mulheres com excesso de peso. Além disso, os resultados foram apresentados no congresso NUTRITION 2026 e ainda não passaram por toda a revisão científica exigida para publicação em uma revista especializada.
Por isso, os dados não provam que restringir horários previna demência ou preserve a memória de qualquer pessoa. Estudos maiores e mais diversos serão necessários para confirmar o efeito e avaliar sua relevância clínica.
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