Ben Mann, cofundador da Claude: “Se fosse há 10 anos atrás, eu teria matriculado minha filha nas melhores escolas. Mas hoje não acho que nada disso vá importar”

Cofundador da Anthropic afirma que, em um futuro dominado pela IA, curiosidade, empatia e criatividade podem superar diplomas

Gabriel Dias Gabriel Dias -
ben mann, co-criador da claude
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/YouTube/Lenny’s podcast)

Há algumas décadas, uma formação em uma escola de elite e uma extensa lista de atividades extracurriculares poderiam ser vistas como investimentos quase obrigatórios no futuro de uma criança. Para Benjamin Mann, cofundador da Anthropic, essa lógica pode estar perdendo força diante do avanço da inteligência artificial.

Em entrevista ao podcast de Lenny Rachitsky, publicada em julho de 2025, Mann afirmou que, 10 ou 20 anos atrás, provavelmente teria buscado as melhores escolas para a filha e incentivado uma agenda repleta de atividades. Hoje, porém, sua prioridade seria diferente.

O executivo afirmou que prefere que a filha desenvolva características como felicidade, empatia, curiosidade e gentileza, em vez de concentrar esforços exclusivamente no desempenho acadêmico.

Conhecimento deixa de ser o único diferencial

A mudança de perspectiva está relacionada ao avanço da IA. Com ferramentas capazes de programar, criar imagens, escrever textos e executar diversas tarefas técnicas, parte do conhecimento tradicionalmente valorizado no mercado de trabalho pode se tornar cada vez mais acessível por meio da tecnologia.

Nesse cenário, Mann defende que características humanas ganham importância. A capacidade de experimentar, demonstrar curiosidade, ter empatia e formular boas perguntas pode ser fundamental para utilizar a inteligência artificial de maneira eficiente.

A ideia também aparece em declarações de outros nomes importantes do setor. Sam Altman, CEO da OpenAI, já afirmou que saber quais perguntas fazer poderá ser mais importante do que simplesmente conhecer as respostas.

Uma nova visão sobre a educação

Essa transformação também levanta questionamentos sobre o modelo tradicional de ensino. Durante muito tempo, a educação esteve baseada na transmissão e memorização de grandes quantidades de conhecimento.

Com a popularização da IA generativa, entretanto, algumas dessas habilidades podem ser automatizadas. Isso abre espaço para uma discussão sobre o papel de competências como criatividade, pensamento crítico, autonomia e capacidade de explorar diferentes possibilidades.

Segundo informações citadas na publicação original, Mann escolheu uma escola Montessori para a filha. O método desenvolvido por Maria Montessori valoriza a autonomia da criança, a exploração e o aprendizado orientado pela curiosidade.

A visão do cofundador da Anthropic não significa que a educação formal tenha perdido completamente sua importância. O que muda, em sua perspectiva, é a maneira de pensar quais habilidades serão mais relevantes em um mundo no qual ferramentas de inteligência artificial estarão cada vez mais presentes na rotina profissional e pessoal.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Jornalismo Cultural.

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