O meteorito de quase 40 quilos que caiu em cidade do interior, chegou a ter oferta de R$ 120 mil e provocou ‘corrida do ouro’

Queda transformou a rotina de uma pequena cidade, atraiu pesquisadores e compradores e deixou uma pedra rara no centro da disputa

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
O meteorito de quase 40 quilos que caiu em cidade do interior, chegou a ter oferta de R$ 120 mil e provocou ‘corrida do ouro’
(Foto: Reprodução)

Um clarão no céu, seguido por estrondos e pedras caindo sobre casas e terrenos, mudou a rotina de uma pequena cidade do interior em agosto de 2020. O fenômeno rapidamente ganhou outro contorno, com moradores sendo procurados por pesquisadores e compradores interessados no material que havia acabado de chegar do espaço.

Entre os fragmentos encontrados, um chamou atenção pelo tamanho: pesava 38,2 quilos. A família que ficou com a pedra recebeu propostas de até R$ 120 mil, enquanto a movimentação em torno dos meteoritos crescia a cada dia.

A cidade que virou alvo

A cena ocorreu em Santa Filomena, no Sertão do Araripe, em Pernambuco, em 19 de agosto de 2020. Fragmentos perfuraram telhados, atingiram árvores e se espalharam por diferentes pontos do município, sem registro de feridos.

Nos dias seguintes, colecionadores, curiosos e cientistas chegaram à região. O então prefeito Cleomatson Vasconcelos classificou o movimento como uma “corrida do ouro”, diante da quantidade de pessoas oferecendo dinheiro pelas pedras.

O episódio também expôs uma lacuna jurídica. O país não contava com legislação específica para disciplinar a propriedade e o comércio de meteoritos, situação que chegou a motivar propostas de regulamentação no Congresso Nacional.

Valor para a ciência

Para os pesquisadores, porém, o interesse ia muito além do preço. O Santa Filomena foi classificado como um condrito ordinário H5-6, material que conserva características da formação inicial do Sistema Solar, ocorrida há cerca de 4,6 bilhões de anos.

Um fragmento de 2,821 quilos passou a integrar o acervo do Museu Nacional/UFRJ e foi apresentado pela instituição em abril de 2023, tornando-se a primeira peça do tipo incorporada à coleção após o incêndio de 2018.

A peça do museu não é a pedra de quase 40 quilos que motivou as ofertas. O destino final do maior fragmento não aparece documentado nas principais fontes consultadas, mas a queda permanece como um episódio marcante da pesquisa sobre meteoritos no Brasil.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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