Tio que matou e enterrou adolescente de 14 anos é condenado a 45 anos em Goiás

Réu recebeu penas distintas por três crimes e deverá cumprir a sentença inicialmente em regime fechado

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Tio que matou adolescente, de 14 anos, é condenado a 45 anos de prisão em Goiás
(Foto: Reprodução)

O homem acusado de matar a adolescente Beatryz Emelly Nunes da Silva Ferreira, de 14 anos, em Britânia, na região Oeste de Goiás, foi condenado a 45 anos, 4 meses e 20 dias de prisão. Paulo César Fagundes de Oliveira foi julgado pelo Tribunal do Júri de Aruanã e recebeu penas pelos crimes de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver.

A sentença foi proferida na quinta-feira (17). O réu deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado. A decisão também determinou o pagamento de R$ 10 mil por danos morais aos familiares da vítima.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Goiás (MP-GO), o acusado constrangeu a adolescente mediante violência física e praticou atos libidinosos antes de matá-la. Depois, teria enterrado o corpo no quintal da residência para assegurar a impunidade pelo crime sexual.

A condenação foi dividida da seguinte forma:

  • Feminicídio: 35 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão;
  • Estupro: 9 anos de reclusão;
  • Ocultação de cadáver: 1 ano de reclusão.

Durante o julgamento, a defesa pediu a desclassificação do feminicídio e a absolvição pelo crime de estupro, sob alegação de ausência de prova da materialidade. O Conselho de Sentença, porém, reconheceu a materialidade e a autoria dos três crimes.

Na decisão, o juiz Joviano Carneiro Neto considerou como circunstância relevante a quebra da relação de confiança familiar, já que a vítima era sobrinha de consideração do acusado. O magistrado também apontou que a motivação estava relacionada à tentativa de assegurar a impunidade pelo estupro.

A pena referente à ocultação de cadáver teve redução de seis meses em razão da confissão espontânea. Também foi determinado o abatimento do período em que Paulo permaneceu preso.

Crime

Beatryz saiu de casa no dia 20 de janeiro de 2026, de bicicleta, para ajudar o acusado e a esposa dele com alguns documentos. A adolescente não retornou e passou a ser procurada pela família.

Na época, as forças de segurança iniciaram buscas depois que a mãe comunicou o desaparecimento à Polícia Militar (PM). Durante as diligências, os investigadores chegaram à residência do acusado, onde surgiram informações de que a jovem havia sido vista pela última vez.

Conforme relatado pelo delegado responsável pelo caso, William Caio, o homem afirmou inicialmente que havia agredido a adolescente porque ela teria sido “grossa” e “mal-educada”.

Ainda conforme o relato apresentado durante a investigação, ele teria pegado um pedaço de madeira e atingido a cabeça da adolescente. A denúncia aponta que, durante a luta corporal, foram desferidos golpes contra a vítima e, posteriormente, utilizado um objeto cortante que provocou o ferimento fatal.

O corpo foi arrastado até o quintal e enterrado em uma escavação que já existia no terreno. A bicicleta utilizada pela adolescente também teria sido escondida para dificultar as buscas.

A esposa do acusado foi mencionada por ele durante o depoimento inicial como alguém que teria participado da ação, mas ela negou envolvimento no assassinato. As informações fornecidas não esclarecem eventual indiciamento ou responsabilização dela.

A defesa de Paulo Fagundes de Oliveira não foi localizada. A sentença ainda cabe recurso.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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