Conheça o homem de 71 anos que se aposentou como radiologista e professor e hoje comanda um negócio de banana no espeto
Aos 71 anos, depois de uma carreira consolidada na medicina e no ensino, ele decidiu começar de novo a partir de uma ideia improvável

Depois de construir uma carreira de décadas na medicina e no ensino universitário, Richard Brown poderia ter simplesmente encerrado a vida profissional. No entanto, aos 71 anos, uma situação aparentemente banal dentro de casa acabou levando o médico a um território completamente diferente.
O que começou com a vontade de preparar bananas congeladas de maneira mais prática virou uma sequência de protótipos, pedidos de patente, busca por fabricantes e, finalmente, um negócio de banana no espeto. A mudança chama atenção não apenas pela idade em que Brown resolveu empreender, mas pela distância entre o novo projeto e a profissão que exerceu durante boa parte da vida.
Da medicina para um novo começo
Brown se formou em Medicina pela Universidade de Michigan em 1980 e seguiu carreira em radiologia e medicina nuclear. A própria instituição atualmente o lista como professor emérito de Radiologia, na Divisão de Medicina Nuclear.
Durante cerca de duas décadas, trabalhou na prática privada. Em 2004, retornou à Universidade de Michigan como professor e também atuou na área de medicina nuclear e imagem molecular.
A aposentadoria formal chegou em 2020, mas durou pouco na prática. Brown assumiu outra função acadêmica já na semana seguinte e, posteriormente, entrou no setor de tecnologia em saúde.
Mesmo depois dos 70 anos, porém, ainda faltava uma experiência completamente nova: desenvolver e tentar comercializar um produto voltado ao consumidor.
Uma banana congelada deu origem à ideia
A inspiração surgiu dentro da própria rotina. Brown gosta de consumir frutas congeladas, especialmente bananas, mas não estava satisfeito com os tradicionais palitos de madeira usados para segurá-las.

(Imagem: Reprodução/Fortune)
Em entrevista à rádio pública WEMU, ele contou que os palitos podiam quebrar, não seguravam a fruta como gostaria, absorviam odores do congelador e ainda poderiam soltar farpas. Ao procurar uma alternativa pronta e não encontrar algo que o convencesse, resolveu criar a própria solução.
A ideia, entretanto, exigiu muito mais trabalho do que ele imaginava. Brown afirma ter produzido e testado cerca de 40 protótipos até chegar ao formato escolhido.
O resultado recebeu o nome de Poka Snack, um utensílio reutilizável desenvolvido para prender frutas enquanto elas são congeladas ou cobertas com ingredientes como chocolate. Apesar de a banana ter sido o ponto de partida, o produto também pode ser usado com frutas como morango, kiwi, manga e abacaxi.
Aos 71 anos, aprendendo uma profissão diferente
Transformar a ideia em produto obrigou Brown a entrar em áreas desconhecidas. Ele precisou estudar desenho de produto, fabricação, materiais seguros para contato com alimentos, embalagem, propriedade intelectual, financiamento coletivo e divulgação nas redes sociais.
O projeto chegou ao Kickstarter em agosto de 2026. Pouco antes do lançamento, Brown também havia protocolado nos Estados Unidos um pedido de patente de design relacionado ao produto.
Ele ainda optou por procurar uma fabricante norte-americana e afirma ter recorrido intensamente a ferramentas de inteligência artificial durante o desenvolvimento do negócio, usando a tecnologia em etapas como concepção, planejamento, criação da marca e marketing.
Nas redes sociais, o produto também ganhou público: em setembro, o projeto já reunia mais de 14 mil seguidores no TikTok, segundo entrevista concedida por Brown à WEMU.
A trajetória mostra uma mudança pouco convencional. Depois de passar décadas lidando com medicina, pacientes e ensino, Brown chegou aos 71 anos aprendendo como transformar uma pequena irritação cotidiana em um produto físico – e tratando esse novo começo quase como uma volta aos tempos de estudante.
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