Reino Unido divulga novo relatório sobre ‘partygate’ e escala pressão contra Boris

Documento de 60 páginas diz, entre outras coisas, que as festas realizadas contrariaram as orientações relacionadas à crise sanitária

Folhapress -
Para premiê britânico o apocalipse ambiental está cada vez mais próximo (Foto: Romena Fogliati/Folhapress)

GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) – O esperado relatório de Sue Gray, funcionária do governo do Reino Unido, sobre as festas realizadas durante a pandemia de Covid -algumas das quais com a presença do premiê Boris Johnson- foi divulgado nesta quarta-feira (25). O caso, conhecido como “partygate”, abriu uma crise na gestão do político conservador.

O documento de 60 páginas diz, entre outras coisas, que as festas realizadas contrariaram as orientações relacionadas à crise sanitária à época. Ao todo, 83 pessoas ligadas ao governo teriam participado de eventos que violaram orientações para conter o coronavírus, diz Gray, que é funcionária pública desde os anos 1970.

“Os eventos investigados contaram com a participação de líderes do governo; muitos funcionários públicos de baixo escalão acreditaram que a sua participação era permitida, uma vez que os chefes estavam presentes”, seguiu o relatório entregue a Boris, que deve se pronunciar sobre o assunto em breve.

Um dos eventos que contou com a presença do premiê, uma festa de aniversário em 19 de junho de 2020 que durou de 20 a 30 minutos, diz Gray, não era de conhecimento de Boris. “O premiê não estava ciente com antecedência, e isso não fazia parte de seu diário oficial do dia”, afirmou. O político, no entanto, chegou a ser multado pela ocasião.

Já em uma festa na véspera, dia 18, “houve consumo excessivo de álcool por algumas pessoas, e dois indivíduos se alteraram”, diz outro trecho do relatório. Gray afirmou já ter recomendado que regras sobre o consumo de álcool no espaço de trabalho sejam impostas, mas salientou que não tem o poder de sugerir ações disciplinares.

Disse, ainda, ter identificado um problema de gestão em Downing Street, a sede do governo, com ausência de linhas claras de liderança e “vários exemplos de falta de respeito com trabalhadores da segurança e da limpeza”.

Acrescentou, porém, que mudanças já foram feitas: “Espero que isso incorpore uma cultura de acolhimento para que todos os níveis se sintam confortáveis para falar”.

Mas o conteúdo do documento parece não revelar tudo que ocorreu no edifício sede do governo britânico. No total, 13 eventos foram investigados, e Gray afirma que contou com a colaboração de muitas pessoas, que forneceram informações. Parte das descobertas, no entanto, só veio à tona por meio do trabalho da imprensa.

“Isso é decepcionante”, afirmou. “A maneira fragmentada em que os fatos foram trazidos ao nosso conhecimento revela que é possível que tenham ocorrido eventos que não foram objeto de investigação.”

Por último, a autora do relatório disse estar convicta de que os casos analisados não refletem a cultura predominante no funcionalismo público, mas pediu respeito aos cidadãos. “O público tem o direito de esperar os mais altos padrões de comportamento nesses espaços, e claramente o que aconteceu ficou muito aquém disso”, concluiu.

Outro relatório interno do governo, também capitaneado por Sue Gray, foi divulgado em janeiro. Enxuto, o documento continha 12 páginas, mas já dizia haver um problema de liderança em Downing Street. Como houve interferência policial, limitando a atuação de Gray -disse a própria funcionária-, um novo relatório, esse mais robusto, foi encomendado.

Ao todo, a Polícia Metropolitana de Londres emitiu 126 multas relacionadas a esses eventos. Além de Boris, sua esposa, Carrie, e seu secretário de Finanças, Rishi Sunak, entraram na lista de multados. O escândalo teve repercussões eleitorais para o Partido Conservador, que perdeu espaço nas eleições regionais no início deste mês.

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