O país onde desempregados recebem salário por dois anos enquanto são obrigados a fazer cursos para se recolocar no mercado

O sistema é sustentado por impostos altos e pela confiança da população no governo, um fator essencial para o bom funcionamento do modelo

Pedro Pedro Ribeiro -
O país onde desempregados recebem salário por dois anos enquanto são obrigados a fazer cursos para se recolocar no mercado
(Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil)

Receber um salário mesmo estando desempregado pode parecer um sonho distante para muitos trabalhadores, mas em um país europeu isso é realidade — e parte de uma estratégia nacional de sucesso.

Trata-se da Dinamarca, uma nação que encontrou uma forma inteligente de equilibrar segurança e flexibilidade no mercado de trabalho.

Com isso o país possui uma das menores taxas de desemprego da Europa e um dos níveis mais altos de satisfação entre seus cidadãos.

O país onde desempregados recebem salário por dois anos enquanto são obrigados a fazer cursos para se recolocar no mercado

O segredo desse modelo está em um conceito conhecido como “Flexicurity” — uma combinação das palavras flexibilidade e segurança.

Na prática, ele permite que empresas dinamarquesas contratem e demitam com facilidade, sem enfrentar a burocracia que existe em outros países.

Ao mesmo tempo, o governo garante proteção financeira aos trabalhadores que perdem o emprego, oferecendo até 90% do último salário por um período de até dois anos.

Mas o benefício não vem sem compromisso. Durante esse tempo, os desempregados precisam participar de cursos de requalificação profissional e programas de recolocação.

A ideia é simples: quem recebe o apoio do Estado deve continuar se preparando para voltar ao mercado o quanto antes, adquirindo novas habilidades e se adaptando às demandas da economia moderna.

Um modelo que estimula a inovação e a confiança

Esse equilíbrio entre segurança e exigência tem efeitos positivos em toda a sociedade.

Com a garantia de um salário temporário e oportunidades de aprendizado, os dinamarqueses têm menos medo de perder o emprego e mais liberdade para buscar novas carreiras ou se arriscar em empreendimentos próprios.

Essa confiança fortalece a economia, estimula a inovação e torna o mercado de trabalho mais dinâmico.

De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Comissão Europeia, a taxa de desemprego na Dinamarca gira em torno de apenas 3%, uma das menores do continente.

O sistema é sustentado por impostos altos e pela confiança da população no governo — um fator essencial para o bom funcionamento do modelo.

Um dos países mais felizes do mundo

A estabilidade econômica e o equilíbrio entre trabalho e qualidade de vida ajudam a explicar por que a Dinamarca aparece constantemente no topo do ranking dos países mais felizes do mundo, segundo o World Happiness Report da ONU.

O sistema “Flexicurity” mostra que, com planejamento, solidariedade e políticas bem estruturadas, é possível garantir um mercado de trabalho justo, moderno e eficiente — sem abrir mão da dignidade de quem precisa recomeçar.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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