Cientistas identificam a idade em que o envelhecimento do corpo acelera de vez

Para entender o processo, os pesquisadores analisaram amostras de 76 doadores com idades entre 14 e 68 anos

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Cientistas identificam a idade em que o envelhecimento do corpo acelera de vez
Cena do filme ‘ A Substância’ disponível no streaming HBO MAX. (Foto: Divulgação)

O envelhecimento sempre desperta curiosidade, principalmente porque muitos querem entender quando o corpo realmente começa a mudar de forma mais intensa.

Para começo de conversa é bom deixar claro que o envelhecimento não segue regra.

Isso porque, ele acontece aos poucos, claro, mas possui momentos de aceleração que podem surpreender.

Agora, graças a um estudo recente, cientistas identificaram com mais precisão a idade em que esse processo ganha força de vez — e a descoberta pode ajudar você a compreender melhor o que acontece no seu organismo ao longo dos anos.

Uma virada importante por volta dos 50 anos

Embora cada pessoa envelheça de forma única, os pesquisadores descobriram um ponto de inflexão: por volta dos 50 anos, o corpo passa por uma aceleração clara do envelhecimento.

A partir dessa fase, tecidos e órgãos começam a perder funcionalidade de maneira mais rápida quando comparados às décadas anteriores.

Para surpresa de muitos, os vasos sanguíneos estão entre os primeiros a demonstrar essa queda.

Segundo cientistas da Academia Chinesa de Ciências, essa conclusão surgiu após a análise detalhada de proteínas presentes em diversos tecidos humanos.

Eles explicam que alterações associadas ao envelhecimento podem ser medidas por mudanças nessas proteínas, que funcionam como marcadores da saúde dos órgãos.

Como o estudo foi feito

Para entender o processo, os pesquisadores analisaram amostras de 76 doadores com idades entre 14 e 68 anos.

No total, foram avaliados 516 tecidos de diferentes sistemas do corpo, como o cardiovascular, o digestivo, o respiratório, o imunológico e o muscular.

Também foram coletadas amostras de sangue para complementar a análise.

Esse mapeamento permitiu criar um catálogo de proteínas e observar como elas se transformam ao longo da vida.

Entre as descobertas, ficou claro que a faixa entre 45 e 55 anos concentra mudanças profundas, principalmente na aorta, que apresentou sinais intensos de desgaste.

O que isso revela sobre nossa saúde

Os cientistas também compararam as proteínas encontradas com bancos de dados de doenças e identificaram 48 proteínas ligadas a condições que tendem a surgir com o envelhecimento.

Elas estão associadas a problemas como doenças cardiovasculares, fibrose, gordura no fígado e até tumores hepáticos.

Além disso, o estudo mostrou que o pâncreas e o baço também passam por alterações significativas nessa fase da vida.

Isso pode ajudar a entender o aumento do risco de doenças metabólicas e imunológicas conforme os anos avançam.

Testes em animais reforçam os resultados

Para confirmar a descoberta, os cientistas injetaram em jovens camundongos uma proteína associada ao envelhecimento da aorta.

O resultado foi claro: os animais passaram a ter menos força, menos equilíbrio, menor resistência e sinais evidentes de envelhecimento vascular.

Essas descobertas reforçam que mudanças específicas no corpo podem acelerar o desgaste de forma sistêmica, afetando várias áreas ao mesmo tempo.

Outros picos de envelhecimento já identificados

Esse não foi o primeiro estudo a mostrar que o envelhecimento acontece por etapas.

Pesquisas anteriores apontaram picos por volta dos 44 e dos 60 anos, marcados por alterações no metabolismo de lipídios, carboidratos, cafeína e álcool, além de mudanças na pele, no músculo, no rim e no sistema imunológico.

Combinando esses dados, fica ainda mais claro que o envelhecimento é um processo complexo e cheio de nuances.

Como esse conhecimento pode ajudar você

Entender quando e como o envelhecimento acelera abre caminho para novas intervenções médicas.

Os autores afirmam que o objetivo final é criar um atlas completo do envelhecimento humano, capaz de orientar tratamentos direcionados para cada órgão e fase da vida.

Assim, à medida que avançamos em idade, será possível agir com mais precisão para controlar doenças, fortalecer o corpo e preservar a qualidade de vida.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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