Aos 91 anos, idoso inspira ao aprender a ler e escrever com ajuda da bisneta de 11
O que parecia ser uma experiência curta acabou se transformando em uma rotina que já dura quatro anos

No interior de Águas Frias, no Oeste de Santa Catarina, uma cena simples do dia a dia tem emocionado quem conhece a história. Todos os dias, depois do almoço, um senhor de 91 anos se senta para estudar. Do outro lado da mesa, quem assume o papel de professora é a bisneta, uma menina de apenas 11 anos, munida de cadernos, paciência e muito carinho.
Pedro Donato não teve a chance de frequentar a escola quando era jovem. O trabalho veio cedo, como aconteceu com tantos brasileiros de sua geração, e o aprendizado formal ficou para depois — um “depois” que só chegou nove décadas mais tarde.
Desde 2022, ele vem aprendendo a ler, escrever, fazer contas e até usar o celular, sempre orientado por Brenda Schiavo, que mora a poucos minutos de caminhada de sua casa, na comunidade da Linha Serafina.
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A ideia partiu da própria menina. Antes de começar, ela reuniu a família para saber se todos apoiariam o plano. O incentivo veio rápido, e Pedro aceitou o desafio.
O que parecia ser uma experiência curta acabou se transformando em uma rotina que já dura quatro anos. “Fico feliz por ele ter aprendido e agradeço por ele ter topado essa ideia”, conta Brenda, orgulhosa, ao NSC TV.
As aulas seguem um cronograma organizado, como em uma escola de verdade. Cada dia tem uma disciplina diferente: português, matemática, história, geografia e até inglês.
Há também espaço para educação física, adaptada à realidade do aluno. Nada de correr ou exercícios pesados — o aprendizado acontece por meio de jogos e brincadeiras pensadas para a idade e o ritmo do bisavô.
Para Pedro, as lições vão além do conteúdo. Elas são um momento de distração, convivência e descoberta. Ele anota tudo o que aprende, mesmo quando algo parece estranho ou difícil de entender.
Entre uma explicação e outra, não faltam risadas. “Serve também para entreter. A gente passa o tempo e curte um pouco a vida. Tem coisa que a gente entende, tem coisa que não entende. As coisas são diferentes hoje em dia. E ela é nervosa e exigente!”, brinca, arrancando risos da família.
O envolvimento dos dois chama a atenção de quem acompanha de perto. A mãe de Brenda, Marilei Alves, confessa que no começo achou que seria algo passageiro. “Pensamos que ela ia cansar em poucos dias, mas não. Já fazem quatro anos. Ele é disciplinado, se preocupa com as atividades e leva tudo muito a sério. Como mãe, fico muito feliz”, afirma.
A iniciativa também é elogiada pela escola onde Brenda estuda. A diretora, Liane Galão, destaca o valor humano da atitude e o exemplo que ela representa. Para ela, o gesto da menina fortalece os laços familiares e mostra como o aprendizado pode atravessar gerações, independentemente da idade.
Em uma casa simples do interior catarinense, bisneta e bisavô provam, todos os dias, que nunca é tarde para aprender — e que ensinar também pode ser um ato de amor.
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