Pesada demais: com 42 milhões de habitantes, a maior cidade do mundo está prestes a afundar
Capital da Indonésia cresce em ritmo acelerado, mas enfrenta colapso ambiental, avanço do mar e afundamento do solo que já ameaça bairros inteiros

Com cerca de 42 milhões de habitantes em sua região metropolitana, Jacarta se consolidou como a maior cidade do planeta em população urbana. O título, no entanto, vem acompanhado de um alerta grave: a capital da Indonésia está literalmente afundando e pode enfrentar consequências irreversíveis nas próximas décadas.
O crescimento acelerado, somado a falhas históricas de planejamento urbano, transformou a metrópole em um dos maiores exemplos globais de colapso ambiental associado à urbanização desordenada.
Uma cidade que afunda ano após ano

(Foto: Captura de Tela/YouTube)
O solo de Jacarta sofre um processo conhecido como subsidência, que ocorre quando o terreno cede gradualmente. Em algumas áreas da cidade, esse afundamento chega a até 25 centímetros por ano, um ritmo considerado extremamente elevado por especialistas.
Grande parte do problema está ligada à extração excessiva de água subterrânea. Como o sistema público não consegue abastecer toda a população, moradores e empresas recorrem a poços artesianos, o que provoca o esvaziamento do solo e acelera o afundamento.
O resultado é visível. Ruas desniveladas, casas rachadas, prédios comprometidos e bairros inteiros cada vez mais baixos em relação ao nível do mar.
Metade da cidade já está abaixo do nível do mar
Hoje, quase 50% de Jacarta já se encontra abaixo do nível do mar. Isso torna a cidade extremamente vulnerável a enchentes, marés altas e tempestades tropicais, cada vez mais intensas por causa das mudanças climáticas.
Em períodos de chuva forte, alagamentos se espalham rapidamente, afetando milhões de pessoas. Em algumas regiões costeiras, o mar já invade áreas residenciais com frequência, obrigando famílias a conviver com água salobra dentro de casa.
Além dos danos materiais, o avanço da água traz riscos sanitários, contaminação de fontes de água e aumento de doenças.
Crescimento populacional fora de controle
A explosão populacional de Jacarta é resultado da migração interna, impulsionada pela concentração de empregos, serviços e oportunidades econômicas. Ao longo de décadas, a cidade cresceu mais rápido do que sua capacidade de se adaptar.
Infraestrutura precária, falta de saneamento adequado e ocupações irregulares agravaram o impacto ambiental. O peso físico da urbanização intensa também contribui para o afundamento do solo, pressionando ainda mais uma base geológica já fragilizada.
A resposta extrema do governo
Diante da gravidade da situação, o governo da Indonésia decidiu tomar uma medida inédita: transferir a capital do país. A nova sede administrativa, chamada Nusantara, está sendo construída na ilha de Bornéu, longe da costa e das áreas de risco.
A ideia é reduzir a pressão populacional e econômica sobre Jacarta, embora a cidade continue sendo o principal centro financeiro do país. Paralelamente, projetos bilionários de contenção costeira, como a construção de grandes diques, tentam frear o avanço do mar.
Especialistas, porém, alertam que essas soluções podem apenas ganhar tempo, sem resolver a raiz do problema.
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