Preço do barril e ações de petrolíferas dos EUA sobem após ataque à Venezuela

Isso ocorre após preços terem caído mais de 18% em 2025 - maior queda anual desde 2020-, em meio a crescentes preocupações com excesso de oferta

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Preço do barril e ações de petrolíferas dos EUA sobem após ataque à Venezuela
Extração de petróleo. (Foto: Captura de Tela/Youtube/AFP Português)

O preço do barril de petróleo subiu quase 2% e ações de petrolíferas americanas subiram mais de 5% nesta segunda-feira (5) após os ataques dos Estados Unidos à Venezuela que levaram à captura do ditador Nicolás Maduro.

Investidores apostam que a ação de Washington poderá abrir caminho para que empresas americanas tenham acesso às reservas de petróleo do país, as maiores do mundo. Um embargo dos EUA ao petróleo venezuelano, no entanto, segue em vigor, segundo o presidente dos EUA, Donald Trump.

As ações da Chevron, a única grande empresa dos EUA que atualmente opera nos campos de petróleo da Venezuela, subiram 5,1%. Já o índice de empresas de energia do S&P 500 subiu ao maior nível desde março de 2025 e avançou 2,6%, com gigantes como Exxon Mobil também em alta de 2,2%.

No Brasil, as ações da Petrobras recuaram 1,5% com a percepção de que a concorrência no mercado latino-americano vai aumentar. O Ibovespa fechou em alta de 0,93%.

Já os contratos do barril de petróleo Brent, referência mundial, e do WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegaram a cair nas primeiras horas do dia, mas a tendência se reverteu. O Brent e o WTI subiram, respectivamente, 1,66% e 1,75%.

Empresas de defesa também avançaram após a ação militar americana. A Lockheed Martin subiu 2,9% e a General Dynamics ganhou 3,5%, enquanto o índice aeroespacial e de defesa do S&P 500 avançou 3,8%, atingindo um recorde. O índice Dow Jones teve alta de 1,2%.

“As ações de energia estão se beneficiando muito da expectativa de que o presidente Trump pretende permitir que elas façam mais investimentos na Venezuela e, no fim das contas, ganhem mais dinheiro”, disse Rob Haworth, estrategista sênior de investimentos do U.S. Bank Wealth Management, em Seattle.

“A ausência de tropas permanentes no terreno, o fato de não estarmos envolvidos de forma duradoura, significa que os mercados acionários mais amplos conseguem deixar de lado temores de um engajamento prolongado”, afirmou Haworth.

No sábado (3), o presidente Donald Trump anunciou que governará a Venezuela até o término do processo de transição. Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e “voltará a fluir” com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.

No domingo (4), membros da Opep+ decidiram manter estável a produção de petróleo, apesar de tensões políticas entre dois dos principais membros do grupo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e do ataque feito pelos Estados Unidos à Venezuela.

A reunião ocorre após os preços do petróleo terem caído mais de 18% em 2025 -a maior queda anual desde 2020-, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta. Esse excedente pode ajudar a controlar o choque disparado pela crise entre Estados Unidos e Venezuela.

A exportação de petróleo da Venezuela representa cerca de 90% das exportações do país, tendo a China como a grande compradora. “Mas para a China, o petróleo venezuelano não é tão importante porque representava muito pouco do seu consumo. O país pode suprir essa falta sem dificuldade”, afirma David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

A Venezuela produzia até 3,5 milhões de barris por dia na década de 1970, respondendo por mais de 7% da produção global.

A produção caiu para menos de 2 milhões de barris diários na década de 2010 e atingiu uma média de cerca de 1,1 milhão no ano passado, ou aproximadamente 1% da oferta global, após anos de subinvestimento e sanções.

O petróleo venezuelano é um petróleo heavy sour com alto teor de enxofre, o que o torna adequado para a produção de diesel e combustíveis mais pesados, embora com margens menores em comparação com outros tipos, principalmente os do Oriente Médio.

“Esse tipo de petróleo se alinha bem com a configuração das refinarias da Costa do Golfo dos EUA, que historicamente foram projetadas para processar esses tipos de petróleo”, disse Ahmad Assiri, estrategista de pesquisa da Pepperstone.

A presença atual da Chevron na Venezuela, sob uma isenção dos EUA, posicionou-a como uma possível primeira beneficiária de qualquer mudança de política, enquanto as refinarias ganham com a maior disponibilidade de petróleo pesado mais perto de casa.

As principais Bolsas também operavam em alta. Na China, o índice SSEC, em Xangai, ultrapassou os 4.000 pontos, fechando o dia com valorização de 1,4%. Já o CSI300, que reúne as principais empresas de Xangai e Shenzhen, subiu 1,9%.

Na Europa, o índice STOXX, da União Europeia, fechou em alta de 0,94%, superando a casa dos 600 pontos, com as Bolsas de Londres (0,54%), Paris (0,20%), Milão (1,04%), Frankfurt (1,34%) e Madri (0,70%), seguindo a mesma tendência.

As ações de defesa lideraram os ganhos na Europa após os ataques terem alimentado novas preocupações sobre riscos geopolíticos.

Os títulos emitidos pelo governo do país sul-americano e pela empresa estatal de petróleo PDVSA chegaram a subir até US$ 0,08, ou cerca de 20%, no início do pregão europeu, com analistas prevendo mais ganhos.

“Os títulos da Venezuela e da PDVSA praticamente dobraram de preço ao longo de 2025, mas ainda devem apresentar um forte salto -de até dez pontos- no início da sessão desta segunda-feira”, disseram analistas do JPMorgan em nota a clientes.

Os movimentos desta segunda-feira levaram o título de 2031 da Venezuela para quase US$ 0,40, mostraram dados da Tradeweb, com a maioria dos outros subindo entre US$ 0,35 e US$ 0,38 e a dívida da PDVSA avançando mais de US$ 0,06, para quase US$ 0,30.

“A remoção do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA provavelmente não terá consequências econômicas significativas no curto prazo para a economia global”, afirmou Neil Shearing da Capital Economics.

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