Adeus, supermercados comuns: novo modelo chega ao Brasil com forma de pagamento inédita
Para ter acesso às compras, clientes precisam virar cooperados e trocar parte do consumo por horas mensais de trabalho

O Gomo Coop, novo tipo de supermercado, começou a operar em São Paulo e propõe uma ruptura clara com o modelo tradicional de varejo. Instalado no Centro da capital, o espaço funciona de forma cooperativa, sem patrões, sem hierarquia comercial clássica e com participação direta dos próprios consumidores.
Nesse formato, comprar não é o único requisito. Para frequentar o mercado, o interessado precisa se tornar cooperado, adquirir uma cota no valor de R$ 100 e se comprometer a dedicar três horas por mês a atividades internas do local. O trabalho passa a integrar a lógica de funcionamento do negócio.
As tarefas são distribuídas conforme a necessidade e envolvem desde atendimento no caixa e reposição de produtos até organização do estoque, limpeza e apoio administrativo. Na prática, cada participante atua simultaneamente como cliente, responsável pela gestão e força de trabalho do mercado.
A governança é coletiva. Todas as decisões estratégicas são tomadas em assembleia, com direito a voto igualitário entre os cooperados, independentemente do número de cotas adquiridas. O objetivo é garantir autonomia, transparência e equilíbrio nas escolhas do grupo.
A redução de custos é um dos pilares do projeto. Ao dispensar intermediários e diminuir gastos com mão de obra tradicional, a cooperativa afirma conseguir preços mais baixos, sobretudo em produtos agroecológicos, alimentos da agricultura familiar e itens produzidos de forma sustentável.
O modelo também busca estimular hábitos de consumo mais conscientes e uma relação mais próxima entre quem produz, quem comercializa e quem consome. A proposta vai além da economia e aposta no fortalecimento do senso de comunidade.
Neste início de operação, as funções desempenhadas pelos cooperados são essencialmente operacionais. Com o crescimento da base de participantes, a expectativa é incorporar novas competências e ampliar a complexidade das atividades.
A iniciativa brasileira segue experiências consolidadas fora do país. O principal exemplo é a Park Slope Food Coop, em Nova York, que funciona há mais de 50 anos com a regra de que apenas quem trabalha pode comprar. Projetos semelhantes também operam em cidades europeias, como Paris.
Esses supermercados cooperativos vêm ganhando espaço internacionalmente por oferecerem uma alternativa ao varejo convencional, especialmente em grandes centros urbanos marcados por altos custos e relações de consumo cada vez mais impessoais.
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