Regras rígidas: nomes de bebês que são proibidos pela Justiça
De títulos de nobreza a palavras ofensivas, leis e decisões judiciais ao redor do mundo impõem limites à criatividade dos pais na hora de registrar o nome dos filhos

Escolher o nome de um filho costuma ser um momento carregado de emoção, expectativas e significado. É ali que muitos pais tentam imprimir identidade, homenagens ou até originalidade. Mas essa liberdade tem limites.
Em diferentes partes do mundo, a Justiça já precisou intervir para barrar nomes considerados inadequados, ofensivos ou capazes de causar prejuízos à criança ao longo da vida.
O debate sobre nomes de bebês ganhou ainda mais força nos últimos anos, impulsionado pelas redes sociais e por registros cada vez mais criativos — alguns deles extremos.
Entre o desejo de inovação e a proteção do interesse da criança, leis e decisões judiciais tentam estabelecer um equilíbrio delicado.
Por que existem regras para nomes?
A principal justificativa das legislações é evitar que a criança seja exposta a situações de constrangimento, bullying ou confusão administrativa no futuro.
Um nome acompanha a pessoa em documentos oficiais, ambientes escolares, profissionais e sociais, o que faz com que escolhas exageradas possam gerar impactos duradouros.
Além disso, muitos países levam em conta a preservação da língua oficial, a padronização de sistemas digitais e o respeito a valores culturais, religiosos e históricos.
Em alguns casos, tribunais atuam mesmo sem uma lei específica, criando precedentes ao negar registros considerados prejudiciais.
O que costuma ser barrado pelas leis
Embora as regras variem bastante, alguns critérios são comuns em vários países. Normalmente, são vetados nomes que:
– Contenham palavrões, ofensas ou termos de baixo calão;
– Façam referência a símbolos religiosos ou políticos de forma considerada imprópria;
– Utilizem apenas números, letras soltas, emojis ou símbolos gráficos;
– Incluam títulos de autoridade, como rei, rainha ou majestado;
– Possam causar confusão nos sistemas de registro ou identificação civil.
Em muitos casos, a análise não é automática. Cada situação é avaliada individualmente, levando em conta o contexto e o possível impacto sobre a criança.
Como funciona nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, não existe uma regra federal única sobre nomes de bebês. As restrições surgem a partir de leis estaduais e decisões judiciais.
Alguns estados limitam o tamanho do nome por questões técnicas, enquanto outros proíbem o uso de números, símbolos ou palavras obscenas.
Há também restrições ao uso de títulos, expressões religiosas extremas ou combinações que dificultem a leitura e o registro oficial. Assim, o que é permitido em um estado pode ser recusado em outro, o que gera debates frequentes entre pais e autoridades.
Países com regras ainda mais severas
Em outras nações, as normas são mais rígidas. Alguns países mantêm listas oficiais de nomes permitidos ou proibidos, enquanto outros exigem que nomes fora do padrão passem por avaliação prévia de um comitê ou órgão de registro.
Entre os nomes já barrados ao redor do mundo estão referências a figuras históricas controversas, títulos de nobreza, personagens religiosos usados de forma inadequada e até palavras associadas a marcas ou objetos.
Exemplos incluem termos como Rei, Rainha, Papai Noel, Adolf Hitler, Nutella, Majestade e combinações feitas apenas com números ou símbolos.
E no Brasil, como funciona?
No Brasil, não há uma lista oficial de nomes proibidos. Ainda assim, o registro não é totalmente livre.
A lei impede nomes que contenham palavrões ou expressões ofensivas, e o oficial do cartório tem autonomia para analisar cada caso.
Se o registrador entender que o nome pode expor a criança a constrangimentos ou prejuízos futuros, ele pode recusar o registro. Nessa situação, os pais têm o direito de contestar a decisão, e o caso é encaminhado a um juiz, que avalia os argumentos e decide se o nome será autorizado ou não.
Liberdade com responsabilidade
No fim das contas, a escolha do nome de um bebê envolve mais do que criatividade. Ela exige cuidado, bom senso e atenção às regras que existem para proteger quem ainda não pode se defender.
A Justiça, ao impor limites, busca garantir que o nome seja uma porta de entrada para a vida — e não um obstáculo.
Siga o Portal 6 no Google News fique por dentro de tudo!




