Cientistas podem ter calculado mal a quantidade de humanos na Terra, aponta estudo

Estudo levanta dúvidas sobre a precisão dos números usados para medir a população mundial, especialmente fora dos grandes centros urbanos

Layne Brito Layne Brito -
Cientistas podem ter calculado mal a quantidade de humanos na Terra, aponta estudo
Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). (Foto: Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

E se a Terra tiver mais gente do que os números oficiais conseguem enxergar? Um estudo recente reacendeu esse debate ao apontar que métodos usados para estimar a população mundial podem estar falhando justamente onde é mais difícil medir: nas regiões rurais e em comunidades afastadas dos grandes centros.

A pesquisa analisou como grandes bases de dados internacionais calculam a quantidade de habitantes em cada área do planeta.

Em vez de depender apenas de censos tradicionais, muitos modelos transformam o mapa em uma espécie de grade, cruzando informações como presença de moradias, infraestrutura e padrões de ocupação do solo para “distribuir” a população por territórios.

O problema é que esse tipo de modelagem tende a ser mais preciso em cidades, onde há mais dados e maior monitoramento e menos eficiente em locais com baixa cobertura, estradas escassas e pouca atualização cadastral.

Para avaliar se as áreas rurais estavam sendo subcontadas, os pesquisadores buscaram um tipo de registro que costuma ter levantamento minucioso: processos de reassentamento envolvendo grandes obras.

Quando comunidades são deslocadas por empreendimentos como represas, por exemplo, o número de pessoas afetadas costuma ser contabilizado com rigor, já que esses dados influenciam indenizações, compensações e realocação de famílias.

Ao comparar essas contagens detalhadas com estimativas globais, a equipe encontrou diferenças relevantes.

Em parte das regiões analisadas, os bancos de dados teriam subestimado a população rural em proporções altas, sugerindo que muita gente pode estar “invisível” nas estatísticas, não por não existir, mas por estar fora do radar dos métodos mais usados.

O alerta não é só matemático. Se uma área aparece com menos habitantes do que realmente tem, ela tende a receber menos estrutura do que precisa. Isso pode afetar o dimensionamento de escolas, postos de saúde, rede de água, energia, transporte e programas sociais.

Também interfere em estudos sobre desigualdade, fome, migração, riscos ambientais e até estratégias de resposta a desastres, como enchentes e secas.

Ao mesmo tempo, especialistas defendem cautela ao transformar essas discrepâncias em uma conclusão direta sobre o total de habitantes do planeta.

A principal mensagem é que a contagem “oficial” pode não estar errada por completo, mas que a distribuição da população no mapa, especialmente no interior e em comunidades remotas ainda tem margens de erro importantes, o que exige melhorias em coleta de dados e atualização de registros.

A discussão reforça um ponto central: contar pessoas é mais do que um exercício estatístico.

É uma ferramenta que define prioridades, recursos e direitos.

E, se parte da população não aparece nas estimativas, ela corre o risco de continuar sem aparecer também nas políticas públicas.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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