Júlio César usava esta técnica há 2.000 anos para tomar decisões melhores no dia a dia
Estratégia mental usada por Júlio César ajuda a criar distância emocional, clareza de pensamento e decisões mais racionais no cotidiano

Antes de cruzar o rio Rubicão e mudar o rumo da história de Roma, Júlio César já dominava algo além da arte da guerra. Sua forma de pensar, registrar fatos e tomar decisões seguia uma lógica incomum até para os padrões atuais.
Ao narrar seus feitos, ele evitava o “eu”. Preferia falar de si como “César”. O que parecia apenas estilo literário era, na prática, uma poderosa técnica mental.
O que é o ileísmo e como ele funciona
O nome dessa estratégia é ileísmo. Trata-se do hábito de falar de si mesmo na terceira pessoa, usando o próprio nome ou pronomes como “ele” ou “ela”, em vez do tradicional “eu”.
Na psicologia moderna, o ileísmo é visto como uma forma eficaz de criar distanciamento emocional. Ao se observar de fora, a pessoa reduz impulsos, emoções intensas e julgamentos precipitados.
Em vez de “estou nervoso”, por exemplo, a ideia seria pensar: “João está nervoso agora, mas pode lidar com isso”. A mudança parece pequena, mas o efeito cognitivo é profundo.
Júlio César e a clareza em momentos decisivos
Nos Comentários sobre a Guerra da Gália, César descreve batalhas, estratégias e decisões críticas sempre na terceira pessoa. “César avançou”, “César ordenou”, “César avaliou o momento”. Nada de primeira pessoa.
Esse recurso criava uma sensação de controle e autoridade, como se o líder observasse a situação de fora. Para um general em meio ao caos, isso significava decisões mais frias e racionais.
Ao atravessar o Rubicão e declarar Alea iacta est (“a sorte está lançada”), César já havia processado o risco com distanciamento. O ileísmo ajudava a transformar emoção em estratégia.
Por que a psicologia recomenda essa técnica hoje
Estudos contemporâneos mostram que o ileísmo melhora o autocontrole emocional, a tomada de decisão e até a liderança. A técnica ajuda o cérebro a sair do modo reativo e entrar no modo analítico.
Ela é usada em situações de estresse, conflitos pessoais e escolhas difíceis. Pensar em si como um observador externo reduz ansiedade e amplia a capacidade de avaliar consequências.
Do Império Romano ao cotidiano moderno, a lição permanece. Às vezes, a melhor forma de decidir bem é sair do “eu” — e enxergar a situação como Júlio César enxergaria.
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