Multinacional fecha fábrica em São Paulo após 70 anos por poluição e deixa mais de 100 famílias sem renda

Fechamento da Isover em Santo Amaro seguirá TAC com MP e Cetesb e deve afetar mais de 100 trabalhadores e prestadores de serviço

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Multinacional fecha fábrica em São Paulo após 70 anos por poluição e deixa mais de 100 famílias sem renda
(Foto: Reprodução/Freepik)

A história industrial de Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, já tem data para mudar de vez. Após mais de 70 anos de operação no bairro, a Isover, empresa do Grupo Saint-Gobain, anunciou que encerrará as atividades industriais de sua fábrica de materiais de isolamento térmico e acústico até 31 de julho de 2026.

O fechamento seguirá um cronograma definido em Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de São Paulo e a Cetesb, estabelecendo prazos e condições para a desativação.

O impacto atinge diretamente mais de 100 trabalhadores com vínculo direto, além de prestadores de serviços ligados à operação.

Segundo a empresa, a desativação será gradual para reduzir efeitos sobre funcionários, clientes e a cadeia de fornecimento. Ao fim do processo, o endereço deixará de operar como unidade industrial e passará a funcionar apenas como centro de distribuição de produtos fabricados em outras unidades.

Fechamento da Isover terá prazos definidos em TAC

Instalada no bairro desde 1951, a fábrica de Santo Amaro passou a ser alvo de questionamentos mais intensos nos últimos anos. Isso ocorreu em meio ao avanço da ocupação residencial no entorno e ao aumento de registros de reclamações relacionados à unidade.

De acordo com o Ministério Público, o TAC prevê um cronograma escalonado para permitir acompanhamento das etapas e fiscalização das obrigações ambientais assumidas pela empresa. O objetivo do acordo é organizar o desligamento industrial com controle das medidas estabelecidas.

Pelo termo, a produção de lã de vidro deve ser interrompida até 4 de julho de 2026. Já o forno de fusão de vidro terá o funcionamento encerrado até o fim do mesmo mês.

Com essas etapas concluídas, a unidade deixará de realizar processos industriais no local. A estrutura seguirá ativa apenas na logística, operando como centro de distribuição no mercado brasileiro.

Reclamações de moradores e registros ambientais ganharam força

Nos últimos anos, moradores relataram episódios recorrentes de odores intensos, emissão de fumaça e ruídos, com maior frequência, segundo relatos, durante a madrugada. As queixas apareceram em audiências públicas, manifestações comunitárias e petições encaminhadas à Cetesb.

Em debates realizados em instâncias institucionais, parte da população associou os episódios a desconfortos respiratórios, irritações nos olhos e na pele. Também foram citados efeitos do barulho contínuo, especialmente à noite.

Esses relatos constam em registros de audiências e documentos apresentados aos órgãos ambientais. No entanto, não há divulgação, nos autos públicos disponíveis, de laudos conclusivos sobre nexo causal individual.

A mobilização cresceu em março de 2023, quando moradores protocolaram uma petição formal pedindo providências para conter emissões atribuídas à fábrica. A partir disso, o Ministério Público instaurou procedimento para apuração e passou a acompanhar o caso com a Cetesb.

Fiscalização, multas e o que a empresa diz sobre os empregos

Entre 2024 e 2025, o tema foi debatido em audiências públicas e reuniões com representantes da empresa, órgãos ambientais e moradores. Em algumas ocasiões, a Cetesb informou a aplicação de multas e advertências relacionadas a emissões de odores e níveis de ruído considerados irregulares.

Durante as discussões, moradores relataram funcionamento contínuo, inclusive no período noturno, além de episódios de fumaça pela chaminé. As autoridades ambientais afirmaram que as reclamações vinham sendo analisadas por fiscalizações e procedimentos administrativos.

Em nota enviada à imprensa, a Isover confirmou a assinatura do TAC e disse que pretende cumprir integralmente os prazos. A empresa afirmou que operava no local há mais de 70 anos, que buscou atender à legislação ambiental vigente e que manteve diálogo com a comunidade do entorno.

Sobre os empregos, a companhia informou que o encerramento gradual foi definido para permitir reorganização interna e reduzir impactos sobre os trabalhadores. Até agora, porém, não detalhou como será feita eventual redistribuição de atividades nem se haverá realocação para outras unidades.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiário do Portal 6.

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