Pesquisa revela que lâmpadas usadas para secar esmalte alteram moléculas da pele

Estudo do Conicet indica que a radiação UV dessas lâmpadas modifica compostos da pele e pode afetar funções ligadas à proteção natural

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Pesquisa revela que lâmpadas usadas para secar esmalte alteram moléculas da pele
(Foto: Reprodução/Pexels)

Aquelas lâmpadas usadas para secar esmalte em poucos minutos, comuns na manicure com esmalte semipermanente, entraram no radar da ciência.

Pesquisadores do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet) testaram os efeitos da radiação ultravioleta (UV) emitida por esses dispositivos.

Os testes apontaram que diversas partículas sofrem alterações, incluindo a enzima ligada à produção de melanina. Os resultados foram publicados recentemente na revista Chemical Research in Toxicology.

A investigação começou há quatro anos, quando a professora e pesquisadora María Laura Dántola (INIFTA, Conicet-UNLP) percebeu a manicure impecável de muitas alunas ingressantes. Ao perguntar como mantinham o visual, ouviu que aplicavam em casa um esmalte semipermanente, considerado econômico, usando uma lâmpada de secagem.

A preocupação aumentou quando ela descobriu a frequência e o modo de uso: uma vez por semana, na potência máxima, para reduzir o tempo de secagem.

Por que a radiação dessas lâmpadas preocupa os pesquisadores

Segundo a pesquisadora Mariana Serrano, os primeiros dispositivos usavam radiação UVA e depois migraram para luz LED UVA visível, na mesma região do espectro solar que atinge a superfície terrestre.

Embora os modelos antigos fossem mais prejudiciais, a equipe afirma que os modernos também causam modificações químicas nas moléculas da pele.

O alerta, segundo Serrano, é que esses efeitos são pouco investigados e ainda menos mencionados nos manuais. Além disso, ela aponta preocupação com o uso indiscriminado, sem controle ou regulamentação que obrigue fabricantes a informar riscos de exposição frequente.

O estudo foi desenvolvido no Instituto de Investigações Físico-Químicas Teóricas e Aplicadas (INIFTA), com autoria de Serrano e Dántola e participação de Mariana Vignoni e Carlos Ardila Padilla, também dedicados à fotoquímica.

Para os pesquisadores, o ponto central não é apenas a existência do dispositivo, mas a forma como ele é usado com alta periodicidade — e com pouca informação sobre possíveis impactos.

O que os testes mostraram após um ciclo típico de manicure

A equipe projetou testes para avaliar danos em moléculas naturalmente presentes na pele expostas à radiação dessas lâmpadas.

Eles observaram mudanças químicas que levam à formação de outras moléculas, capazes de absorver luz e induzir danos em lipídios e proteínas.

Após uma exposição de quatro minutos, que seria o tempo de um ciclo típico de manicure, Serrano afirma que todos os compostos estudados sofreram modificações com alteração de funções biológicas.

Os pesquisadores também explicam que processos fotossensibilizados podem estar por trás de problemas médicos associados à radiação eletromagnética, como fotoalergia, fototoxicidade e até diferentes tipos de câncer de pele.

Vignoni destaca como exemplo a ação sobre a tirosinase, enzima que participa da síntese de melanina. Segundo ela, quando essa função é alterada ou desaparece, o corpo perde uma proteção natural contra a radiação, o que abre caminho para danos.

O estudo ainda aponta que as alterações químicas observadas são comparáveis às provocadas pela radiação solar que atinge a superfície do solo platense em um dia de primavera ao meio-dia.

Medidas preventivas sugeridas pela equipe

Diante dos achados, os pesquisadores consideram importante que os dispositivos tragam informações mais claras sobre efeitos prejudiciais do uso não controlado. A proposta é que as pessoas possam decidir com mais consciência sobre o uso desses produtos.

Entre as medidas preventivas citadas estão a aplicação de protetor solar e o uso de luvas que evitem a exposição desnecessária de regiões da mão. A ideia é reduzir o contato da pele com a radiação durante o procedimento.

A equipe reforça que a preocupação se intensifica pelo caráter de venda livre, custo acessível e uso frequente sem orientação detalhada. Para eles, informação e prevenção seriam passos essenciais.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.