O que Bad Bunny já falou sobre Trump antes mesmo do Super Bowl

Declarações de Bad Bunny já haviam sido feitas em entrevistas, discursos públicos, campanhas eleitorais e até em um videoclipe

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Bad Bunny foi o artista mais ouvido no Spotify em 2025.
Bad Bunny foi o artista mais ouvido no Spotify em 2025. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

IGOR RIBEIRO – Bad Bunny tem um histórico público de críticas diretas a Donald Trump. Com citações sobre Porto Rico, ICE e a desvalorização da América Latina, o cantor ironiza o atual presidente dos Estados Unidos antes mesmo do Super Bowl.

Antes de ser alvo de ataques de Trump após o Super Bowl, Bad Bunny já havia criticado o ex-presidente em entrevistas, discursos públicos, campanhas eleitorais e até em um videoclipe. As declarações começaram em 2018 e se intensificaram nos anos seguintes, com falas explícitas sobre Porto Rico, imigração e deportações associadas ao governo republicano.

Bad Bunny participou do programa The Tonight Show, em 2018, e comentou a situação de Porto Rico um ano após o furacão Maria. Na ocasião, o cantor afirmou que milhares de pessoas haviam morrido e acusou o então presidente de minimizar a tragédia. Ele interpretou “Estamos Bien” no programa.

A canção fazia referência ao cenário deixado pelo furacão Maria, que atingiu Porto Rico em setembro de 2017 e provocou um colapso prolongado na ilha. Além da destruição de casas e da infraestrutura básica, o desastre deixou grande parte do território sem energia elétrica e acesso a serviços essenciais por meses.

“Mais de 3.000 pessoas morreram, e Trump ainda está em negação”, disse Bad Bunny. Desde então, Porto Rico se tornou um ponto recorrente nas críticas do cantor, sempre associado ao que ele considera abandono e falta de respeito à ilha em que nasceu.

DISCURSO SUBIU O TOM

Em 2020, a oposição deixou de ser apenas discursiva. Bad Bunny autorizou o uso de uma de suas músicas, “Pero Ya No”, em um comercial da campanha democrata de Joe Biden -que venceu a eleição contra Trump.

O gesto foi interpretado como um posicionamento eleitoral direto contra o republicano. A propaganda foi veiculada em estados com forte presença do eleitorado latino e associou imagens do então presidente a críticas sobre imigração e à crise porto-riquenha.

Quatro anos depois, na eleição de 2024, o cantor voltou a se posicionar. Em meio à repercussão de declarações ofensivas sobre Porto Rico feitas em um evento ligado à campanha trumpista, Bad Bunny sinalizou apoio à candidatura democrata de Kamala Harris e reforçou, em postagens, críticas ao tratamento dado à ilha durante o governo Trump.

O ataque mais simbólico veio em 2025, em um videoclipe. No lançamento de “NUEVAYoL”, divulgado em 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, Bad Bunny incluiu uma mensagem final narrada por uma voz que remete a Trump.

“Quero dizer que este país não é nada sem os imigrantes”, dizia a voz de Trump, em sátira feita com ajuda de inteligência artificial. A gravação segue com a menção a diferentes comunidades latinas, como porto-riquenhos, mexicanos, dominicanos e venezuelanos.

BAD BUNNY PEDIU ‘FORA ICE’ NO GRAMMY

Já em 2026, às vésperas do Super Bowl, o cantor voltou a abordar o tema de forma explícita no palco do Grammy. Ao discursar, ele atacou a política de deportações e citou diretamente a agência de imigração dos EUA.

“Fora ICE […], não somos alienígenas. Somos humanos. Somos americanos”, disse o cantor.

O ICE (Serviço de Imigração e Controle Alfandegário), dos Estados Unidos, é o órgão federal responsável por ações de fiscalização migratória, detenções e deportações no país. A agência fez operações em cidades como Minneapolis, onde ações federais ampliadas geraram protestos e relatos de abordagens em locais públicos e residenciais entre comunidades imigrantes.

NO SUPER BOWL

O cantor porto-riquenho Bad Bunny usou o palco do Super Bowl para protestar contra políticas para imigrantes dos EUA e exaltar a cultura latina. O cantor fez seus discursos em espanhol e lembrou que a expressão “América” se refere a todo o continente, e não exclusivamente aos Estados Unidos.

Seus dançarinos entraram no palco carregando bandeiras de todos os países da região, enquanto Bad Bunny citava os nomes de cada nação. A escolha pelo cantor ocorreu em um momento de expansão da NFL na América Latina. Bad Bunny se tornou um dos principais artistas da atualidade, com estilo musical que une elementos do pop, reggaeton e música latina. O cantor também observou um aumento em sua popularidade, ao superar a marca de 80 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Após o Super Bowl, Trump reagiu e atacou publicamente o show do intervalo, chamando a apresentação de “absolutamente terrível”. “O show não faz sentido, é um insulto à Grandeza da América e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência”, disse o presidente, em publicação na rede Truth Social.

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