Segundo professor de Harvard, humanos não foram feitos para correr e sim para sentar por um motivo muito curioso
A ciência explica por que o corpo humano prefere economizar energia e desafia a cultura do treino extremo

Correr pode até parecer o símbolo máximo de uma vida saudável, mas a ciência joga um balde de água fria nessa ideia.
Segundo um professor da Universidade de Harvard, o corpo humano nunca foi projetado para o exercício intenso como regra — muito menos para a corrida constante.
Na verdade, a nossa evolução aponta para algo bem diferente: andar com moderação, sentar sem culpa e economizar energia.
A tese é defendida por Daniel E. Lieberman, biólogo evolucionista e autor do livro “Exercício”, que questiona a cultura moderna do “treino a qualquer custo” e propõe uma reflexão incômoda para a era fitness.
A ideia de que fomos feitos para treinar pode ser um mito
Nas redes sociais, influenciadores promovem rotinas exaustivas como se fossem naturais ao corpo humano.
Para Lieberman, essa lógica ignora milhões de anos de evolução.
Segundo ele, nunca evoluímos para fazer exercícios da forma como entendemos hoje, com treinos intensos, repetitivos e orientados ao desempenho.
Isso não significa defender o sedentarismo, mas reconhecer que, biologicamente, o exercício é uma atividade “estranha” ao nosso organismo quando praticada em excesso.
O corpo humano responde melhor a estímulos moderados e frequentes — não à sobrecarga constante.
Andar sim, correr nem tanto
Ao analisar o comportamento dos primeiros humanos, o pesquisador explica que a rotina ancestral envolvia longas caminhadas em busca de alimento, intercaladas com períodos prolongados de descanso.
Correr não era prioridade. Ficar em pé o tempo todo, muito menos.
Grande parte da vida acontecia sentada: em grupo, ao redor do fogo, compartilhando comida, histórias e estratégias de sobrevivência.
Esse padrão moldou nossa anatomia e nosso comportamento energético ao longo do tempo.
O corpo humano nasceu para poupar energia
Um dos pontos centrais do livro é o chamado metabolismo basal, que representa a energia mínima necessária para manter o corpo funcionando em repouso.
Esse gasto corresponde a até 75% de toda a energia consumida diariamente.
Segundo Lieberman, uma pessoa pode queimar cerca de 1.700 calorias por dia sem fazer absolutamente nada além de manter funções vitais.
Isso reforça a ideia de que o corpo humano é biologicamente programado para evitar esforços desnecessários.
Por que sentar não deveria ser tratado como vilão?
O professor também critica a demonização do ato de sentar, comum em discursos modernos sobre saúde.
Comparar o hábito ao tabagismo, segundo ele, é um exagero que mais atrapalha do que ajuda.
Sentar é natural. O problema está em passar o dia inteiro parado, sem pausas ou movimento.
A recomendação não é abolir a cadeira, mas alternar posições, levantar-se com frequência e manter o corpo ativo de forma equilibrada.
Movimento sem exageros é a chave
Mesmo com essa visão crítica, Lieberman reconhece os benefícios do exercício físico e defende estratégias simples para manter o corpo ativo.
Caminhar diariamente, atingir metas razoáveis de passos e respeitar os limites individuais continuam sendo práticas recomendadas.
A mensagem final é clara: saúde não está ligada a extremos.
O corpo humano foi feito para sobreviver com eficiência, não para viver em constante estado de exaustão.
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