“Ser autônoma é trabalhar 24 horas por dia”: mãe de criança de 3 anos fecha loja e desabafa após rotina exaustiva
Rotina intensa entre maternidade e gestão do negócio levou empreendedora a pausar atividades para preservar saúde e organização familiar

“Ser autônoma é trabalhar 24 horas por dia”: mãe de criança de 3 anos fecha loja e desabafa após rotina exaustiva após enfrentar uma rotina que misturava maternidade, casa e gestão do próprio negócio sem pausas reais.
O caso reflete uma realidade cada vez mais comum entre mulheres que entram no empreendedorismo materno em busca de autonomia, mas encontram jornadas ainda mais exigentes.
A trajetória de Andrea, de 31 anos, dona da loja de roupas infantis Meninos, em Vigo, mostra que a independência profissional não reduz necessariamente a carga de trabalho.
Pelo contrário, a responsabilidade passa a envolver decisões constantes, organização contínua e impacto direto na vida familiar.
Empreendedorismo materno cresce, mas traz pressões invisíveis
Em diversos países, especialmente na Europa, o empreendedorismo se tornou uma alternativa para mães que desejam conciliar renda e presença na criação dos filhos.
Muitas identificam oportunidades em nichos ligados ao universo infantil, como moda, brinquedos, educação e cuidados.
No entanto, a ideia de “fazer o próprio horário” costuma esconder tarefas pouco visíveis. Na prática, a empreendedora acumula funções administrativas, atendimento, redes sociais, fornecedores e planejamento financeiro.
Assim, o tempo de descanso diminui e a jornada se estende para além do horário comercial.
Andrea, que trabalhou por 12 anos como vendedora, abriu a loja em agosto de 2023, quando o bebê tinha apenas três meses. O objetivo era oferecer moda infantil elegante, de qualidade e acessível.
Porém, com o crescimento da clientela, as responsabilidades aumentaram rapidamente.
Rotina intensa mostrou os desafios de conciliar maternidade e negócio
Inicialmente, a loja funcionava em um espaço de 15 m² em La Miñoca, com armazenamento limitado. Mesmo com estrutura reduzida, a demanda cresceu.
Em abril de 2025, a empresária decidiu se mudar para um ponto maior, de 70 m², na Avenida do Fragoso, buscando expansão da marca.
Apesar do avanço, a mudança ampliou a sobrecarga. Ela passou a gerir sozinha a loja física, as vendas online, o relacionamento com clientes, a casa e os cuidados com o filho pequeno.
Dessa forma, o trabalho começou a ocupar manhãs, tardes, noites e fins de semana.
Além disso, a falta de equipe fixa dificultou a divisão de tarefas. A rotina sem pausas regulares intensificou o cansaço físico e emocional, tornando a conciliação entre negócio e maternidade cada vez mais difícil.
Pausa estratégica surge como alternativa diante do esgotamento
Entre mães empreendedoras, a decisão de pausar o negócio raramente está ligada à falta de vendas. Na maioria dos casos, ela ocorre por excesso de trabalho, ausência de descanso e impacto na saúde mental.
Mesmo durante a pausa, diversos custos continuam ativos. Entre eles estão contribuições como trabalhadora autônoma, aluguel do ponto comercial, contratos com fornecedores e despesas operacionais básicas, como internet e sistemas de gestão.
Por isso, muitas optam por liquidar parte do estoque para criar uma reserva financeira mínima.
No caso de Andrea, o fechamento temporário da loja representou uma tentativa de reorganizar a rotina e preservar o bem-estar familiar. O apoio do marido na administração passou a ser essencial nesse período de transição.
Estratégias podem tornar o empreendedorismo materno mais sustentável
Especialistas apontam que tornar o negócio compatível com a vida familiar exige ajustes no modelo de operação. Em vez de expandir rapidamente, muitas mães optam por loja online, horários reduzidos, atendimento com hora marcada ou crescimento gradual.
Além disso, a organização de coleções, pausas programadas e divisão de tarefas ajudam a reduzir a sobrecarga. Quando possível, o apoio familiar ou a contratação em horários estratégicos também contribuem para equilibrar responsabilidades.
Ao pausar as atividades, a empreendedora planeja retomar a loja com uma estrutura mais organizada e um ritmo mais sustentável.
A decisão mostra que reorganizar o negócio não significa fracasso, mas sim uma forma de preservar a saúde, a família e a continuidade do empreendimento a longo prazo
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