Motor a hidrogênio: se é tão promissor, por que as montadoras ainda não adotam em massa?

Mesmo após duas décadas de testes e modelos comerciais, hidrogênio ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais

Gabriel Dias -
Motor a hidrogênio
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/YouTube)

Ele emite apenas água pelo escapamento, promete reabastecimento rápido e mantém a lógica do abastecimento tradicional.

À primeira vista, o motor a hidrogênio parece a solução perfeita para substituir os combustíveis fósseis.

Ainda assim, duas décadas após os primeiros modelos comerciais surgirem, a tecnologia segue restrita a poucos veículos e mercados específicos.

O entusiasmo ganhou força no início dos anos 2000, quando a Honda apresentou o FCX Clarity, movido a célula de combustível. A proposta era clara: gerar eletricidade a partir do hidrogênio e eliminar emissões locais de combustíveis fósseis.

O projeto, porém, não alcançou escala e acabou descontinuado após anos de vendas limitadas.

Essa impopularidade não é à toa: veículos a hidrogênio têm preço elevado, em parte devido à complexidade e ao valor de produção das células de combustível.

Além disso, a produção do hidrogênio consome muita energia e, quando obtido a partir do gás natural, reduz os benefícios ambientais.

Outro obstáculo é a infraestrutura. Postos de abastecimento de hidrogênio são raros na maior parte do mundo, o que compromete a viabilidade comercial.

Em paralelo, os veículos elétricos avançaram com forte apoio governamental, expansão da rede de recarga e ganhos consistentes de autonomia.

Também pesa a eficiência energética: produzir hidrogênio, armazená-lo sob alta pressão e convertê-lo novamente em eletricidade envolve perdas no processo, sendo um sistema com rendimento pouco viável.

No fim das contas, o sistema pode ser menos eficiente do que simplesmente carregar uma bateria.

Apesar disso, o hidrogênio ainda é considerado promissor para veículos pesados, como caminhões e ônibus, onde autonomia elevada e abastecimento rápido são vantagens competitivas.

A questão, portanto, não é falta de potencial, mas de competitividade. Enquanto custos, eficiência e infraestrutura não evoluírem de forma consistente, o hidrogênio tende a permanecer como aposta paralela, mas ainda assim presente no mercado.

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Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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