Motor a hidrogênio: se é tão promissor, por que as montadoras ainda não adotam em massa?
Mesmo após duas décadas de testes e modelos comerciais, hidrogênio ainda enfrenta barreiras econômicas e estruturais

Ele emite apenas água pelo escapamento, promete reabastecimento rápido e mantém a lógica do abastecimento tradicional.
À primeira vista, o motor a hidrogênio parece a solução perfeita para substituir os combustíveis fósseis.
Ainda assim, duas décadas após os primeiros modelos comerciais surgirem, a tecnologia segue restrita a poucos veículos e mercados específicos.
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O entusiasmo ganhou força no início dos anos 2000, quando a Honda apresentou o FCX Clarity, movido a célula de combustível. A proposta era clara: gerar eletricidade a partir do hidrogênio e eliminar emissões locais de combustíveis fósseis.
O projeto, porém, não alcançou escala e acabou descontinuado após anos de vendas limitadas.
Essa impopularidade não é à toa: veículos a hidrogênio têm preço elevado, em parte devido à complexidade e ao valor de produção das células de combustível.
Além disso, a produção do hidrogênio consome muita energia e, quando obtido a partir do gás natural, reduz os benefícios ambientais.
Outro obstáculo é a infraestrutura. Postos de abastecimento de hidrogênio são raros na maior parte do mundo, o que compromete a viabilidade comercial.
Em paralelo, os veículos elétricos avançaram com forte apoio governamental, expansão da rede de recarga e ganhos consistentes de autonomia.
Também pesa a eficiência energética: produzir hidrogênio, armazená-lo sob alta pressão e convertê-lo novamente em eletricidade envolve perdas no processo, sendo um sistema com rendimento pouco viável.
No fim das contas, o sistema pode ser menos eficiente do que simplesmente carregar uma bateria.
Apesar disso, o hidrogênio ainda é considerado promissor para veículos pesados, como caminhões e ônibus, onde autonomia elevada e abastecimento rápido são vantagens competitivas.
A questão, portanto, não é falta de potencial, mas de competitividade. Enquanto custos, eficiência e infraestrutura não evoluírem de forma consistente, o hidrogênio tende a permanecer como aposta paralela, mas ainda assim presente no mercado.
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