Sem papel higiênico: como funcionava a higiene no passado?

Muito antes do rolo branco se tornar indispensável, diferentes civilizações improvisaram soluções curiosas — e algumas surpreendem até hoje

Isabella Victória -
Sem papel higiênico: como funcionava a higiene no passado?
(Foto: Reprodução/Freepik)

Hoje ele é item básico em qualquer banheiro. Está ali, ao alcance da mão, quase invisível na rotina.

No entanto, por milhares de anos, o papel higiênico simplesmente não existia.

Ainda assim, a humanidade nunca deixou de buscar soluções para a higiene pessoal.

Muito antes da produção industrial, cada povo criou alternativas com base no que tinha disponível — e, consequentemente, essas escolhas revelam muito sobre cultura, clima e até desigualdade social.

O que as civilizações antigas usavam?

Sem fábricas e sem rolos embalados, os povos antigos recorreram à natureza — e, acima de tudo, à criatividade.

Os romanos, por exemplo, utilizavam o tersório, um bastão com esponja na ponta que ficava imerso em água salgada ou vinagre. Além disso, o objeto era coletivo e compartilhado em banheiros públicos.

Já os gregos usavam pedras lisas, folhas ou até as próprias mãos. Em regiões mais úmidas, por sua vez, musgos e cascas macias de árvores serviam como alternativa.

Na China, o papel já existia em determinadas épocas; contudo, era raro e valioso, o que limitava seu uso cotidiano.

Em comum, todas essas práticas tinham um ponto central: adaptar-se ao que estava ao redor.

E na Idade Média?

Durante a Idade Média, a higiene não recebia a mesma atenção que em outras fases da história.

Assim, as soluções eram simples e, muitas vezes, improvisadas.

Folhas, palha e pedaços de tecido estavam entre os materiais mais usados.

O objetivo era, basicamente, resolver a necessidade imediata, sem grande preocupação com conforto ou sofisticação.

Portanto, a ideia de higiene como padrão social ainda não estava consolidada como conhecemos hoje.

O luxo também chegava ao banheiro?

Sim — e, nesse caso, a diferença era evidente.

Enquanto a população em geral utilizava materiais naturais ou reutilizados, as classes mais ricas, por outro lado, tinham acesso a opções mais confortáveis.

Entre os itens usados por pessoas abastadas estavam:

  • Estopa feita de fibras naturais como cânhamo ou linho
  • Tecidos macios como veludo e cetim
  • Lenços de renda
  • Cartas e documentos antigos reaproveitados

Esses materiais evidenciavam não apenas maior conforto, mas também a desigualdade social presente ao longo dos séculos.

Por que o papel demorou tanto?

Durante muito tempo, o papel era caro e considerado precioso.

Por essa razão, seu uso estava reservado para livros, registros oficiais e correspondências.

Utilizá-lo para higiene pessoal parecia desperdício.

Somente com o avanço da produção industrial, especialmente a partir do século XIX, o papel se tornou mais acessível e passou, então, a ser fabricado especificamente para essa finalidade.

Antes disso, quando utilizado, era comum reaproveitar papéis já escritos.

O que essa história revela?

A evolução da higiene acompanha o desenvolvimento tecnológico e social da humanidade.

O que hoje parece simples e automático já foi, em diferentes épocas, improvisado, coletivo e até desconfortável.

Assim, cada cultura, dentro de suas limitações, encontrou soluções práticas para uma necessidade universal.

No fim das contas, a história do papel higiênico revela algo maior: a capacidade humana de adaptação.

Afinal, até os hábitos mais cotidianos carregam séculos de criatividade, transformação e mudança de mentalidade.

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Isabella Victória

Estudante de Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO no Portal 6. Atua na produção de conteúdo otimizado para a web, com interesse em curiosidades, comportamento, tendências digitais e temas do cotidiano, sempre com uma abordagem leve, clara e informativa.

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