Sem papel higiênico: como funcionava a higiene no passado?
Muito antes do rolo branco se tornar indispensável, diferentes civilizações improvisaram soluções curiosas — e algumas surpreendem até hoje

Hoje ele é item básico em qualquer banheiro. Está ali, ao alcance da mão, quase invisível na rotina.
No entanto, por milhares de anos, o papel higiênico simplesmente não existia.
Ainda assim, a humanidade nunca deixou de buscar soluções para a higiene pessoal.
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Muito antes da produção industrial, cada povo criou alternativas com base no que tinha disponível — e, consequentemente, essas escolhas revelam muito sobre cultura, clima e até desigualdade social.
O que as civilizações antigas usavam?
Sem fábricas e sem rolos embalados, os povos antigos recorreram à natureza — e, acima de tudo, à criatividade.
Os romanos, por exemplo, utilizavam o tersório, um bastão com esponja na ponta que ficava imerso em água salgada ou vinagre. Além disso, o objeto era coletivo e compartilhado em banheiros públicos.
Já os gregos usavam pedras lisas, folhas ou até as próprias mãos. Em regiões mais úmidas, por sua vez, musgos e cascas macias de árvores serviam como alternativa.
Na China, o papel já existia em determinadas épocas; contudo, era raro e valioso, o que limitava seu uso cotidiano.
Em comum, todas essas práticas tinham um ponto central: adaptar-se ao que estava ao redor.
E na Idade Média?
Durante a Idade Média, a higiene não recebia a mesma atenção que em outras fases da história.
Assim, as soluções eram simples e, muitas vezes, improvisadas.
Folhas, palha e pedaços de tecido estavam entre os materiais mais usados.
O objetivo era, basicamente, resolver a necessidade imediata, sem grande preocupação com conforto ou sofisticação.
Portanto, a ideia de higiene como padrão social ainda não estava consolidada como conhecemos hoje.
O luxo também chegava ao banheiro?
Sim — e, nesse caso, a diferença era evidente.
Enquanto a população em geral utilizava materiais naturais ou reutilizados, as classes mais ricas, por outro lado, tinham acesso a opções mais confortáveis.
Entre os itens usados por pessoas abastadas estavam:
- Estopa feita de fibras naturais como cânhamo ou linho
- Tecidos macios como veludo e cetim
- Lenços de renda
- Cartas e documentos antigos reaproveitados
Esses materiais evidenciavam não apenas maior conforto, mas também a desigualdade social presente ao longo dos séculos.
Por que o papel demorou tanto?
Durante muito tempo, o papel era caro e considerado precioso.
Por essa razão, seu uso estava reservado para livros, registros oficiais e correspondências.
Utilizá-lo para higiene pessoal parecia desperdício.
Somente com o avanço da produção industrial, especialmente a partir do século XIX, o papel se tornou mais acessível e passou, então, a ser fabricado especificamente para essa finalidade.
Antes disso, quando utilizado, era comum reaproveitar papéis já escritos.
O que essa história revela?
A evolução da higiene acompanha o desenvolvimento tecnológico e social da humanidade.
O que hoje parece simples e automático já foi, em diferentes épocas, improvisado, coletivo e até desconfortável.
Assim, cada cultura, dentro de suas limitações, encontrou soluções práticas para uma necessidade universal.
No fim das contas, a história do papel higiênico revela algo maior: a capacidade humana de adaptação.
Afinal, até os hábitos mais cotidianos carregam séculos de criatividade, transformação e mudança de mentalidade.
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