O método improvável que usa abelhas para proteger elefantes e evitar conflitos no campo
Comunidades encontraram alternativa sustentável para problema histórico crescente

O avanço de áreas agrícolas sobre habitats naturais tem intensificado conflitos entre humanos e elefantes em países da África e da Ásia.
Em regiões do Quênia, Moçambique e Tailândia, a destruição de lavouras por manadas tornou-se um problema recorrente, com impactos econômicos e sociais relevantes.
Nesse contexto, uma estratégia baseada na própria natureza passou a ganhar respaldo científico: o uso de abelhas como barreira de dissuasão.
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A iniciativa foi estruturada a partir dos anos 2000 pela organização Save the Elephants, em parceria com pesquisadores da University of Oxford. Estudos de campo demonstraram que elefantes apresentam forte reação ao som de enxames.
Embora possuam pele espessa, áreas como tromba, olhos e interior das orelhas são sensíveis a picadas. Experimentos comportamentais registraram respostas imediatas de recuo ao simples zumbido das abelhas, indicando um padrão consistente de evitação.
Com base nessas evidências, foram criadas as chamadas “cercas de colmeias”. O sistema intercala colmeias ativas com caixas vazias suspensas entre postes, conectadas por fios.
Ao tocar a estrutura, o elefante provoca vibração nas colmeias, ativando as abelhas. O método foi amplamente monitorado em áreas próximas ao Parque Nacional de Tsavo Oriental.
Ao longo de mais de seis anos e cerca de 4 mil interações registradas, a taxa de dissuasão alcançou aproximadamente 86% durante períodos de colheita, segundo dados divulgados pela organização.
Além da redução das invasões, o projeto gerou efeitos colaterais positivos. A produção de mel tornou-se fonte complementar de renda para agricultores locais, incentivando a manutenção das estruturas.
A presença das abelhas também favoreceu a polinização, contribuindo para o equilíbrio ecológico e potencial aumento de produtividade agrícola.
Pesquisas adicionais indicam que elefantes emitem vocalizações específicas para alertar o grupo sobre o risco de abelhas, sugerindo que o medo está incorporado à comunicação social da espécie.
Entre 2010 e 2017, registros oficiais no Quênia apontaram mais de 200 mortes humanas relacionadas a conflitos com elefantes, enquanto dezenas de animais foram abatidos em retaliação.
Diante desse cenário, as cercas de colmeias passaram a ser consideradas uma das soluções baseadas na natureza mais eficazes e de baixo custo.
Estudos replicados em outros países mantiveram tendência semelhante de sucesso, embora variem conforme fatores ambientais como disponibilidade hídrica e ciclo de floração.
A estratégia reforça como intervenções simples, fundamentadas em comportamento animal, podem transformar desafios históricos em modelos sustentáveis de convivência.
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