Americanas deixa shopping e fecha as portas de mais de 190 lojas em todo o país
Decisões estratégicas recentes causam impacto direto no comércio físico em grandes cidades brasileiras
A gigante varejista Americanas continua em um processo de reestruturação física acelerada, com o fechamento de 193 lojas em 2025, incluindo uma das unidades mais emblemáticas da marca no Shopping Iguatemi São Paulo, inaugurada em 1981 e operante por mais de quatro décadas.
A retração faz parte do plano de ajuste promovido pela companhia desde que entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro de 2023, após a revelação de inconsistências contábeis bilionárias que abalaram sua credibilidade no mercado.
Segundo o relatório mais recente divulgado pelos administradores do processo, a rede física da Americanas passou de 1.880 lojas em funcionamento no início da crise para cerca de 1.470 unidades ativas em dezembro de 2025, representando uma redução acumulada de 22% no número de pontos de venda desde o início da recuperação judicial.
A comparação anual revela que, apenas entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a rede encolheu 11,6%, demonstrando que o ajuste ainda segue em ritmo intenso.
A saída da unidade no Iguatemi marca simbolicamente essa transformação. Localizada na movimentada Avenida Faria Lima, a loja era reconhecida por sua presença tradicional em um dos corredores mais sofisticados do país, convivendo com marcas de luxo e servindo a uma clientela diversificada ao longo de décadas.
A decisão de encerrar as operações no local dá continuidade a um movimento de revisão estratégica de espaços que não se alinham mais ao modelo de negócio atual, segundo a própria empresa.
A redução da rede física tem repercussões que vão além dos pontos de venda. Dados internos apontam que, com menos lojas, a base de clientes ativos também recuou, passando de cerca de 47,3 milhões no final de 2024 para 40,8 milhões ao final de 2025, uma queda de quase 7 milhões de consumidores.
Apesar de ajustes que buscam otimizar a operação e focar em canais mais eficientes, a dependência histórica de lojas físicas, responsáveis por praticamente toda a venda de produtos, representa um desafio estrutural para a empresa em meio à transformação digital e às mudanças no comportamento de consumo.
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