Banco é obrigado a renegociar dívidas de idosos? Veja o que diz a lei

Idosos podem ter um caminho legal para rever dívidas através da lei, mas o processo pode ser mais complexo do que aparenta

Gustavo de Souza -
Banco é obrigado a renegociar dívidas de idosos? Veja o que diz a lei
(Foto: Reprodução/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O crescimento do crédito fácil, sobretudo entre aposentados e pensionistas, colocou o superendividamento no centro do debate nacional.

Desde 2021, a Lei nº 14.181 (conhecida como Lei do Superendividamento) estabelece regras para prevenir abusos e criar mecanismos formais de renegociação, buscando preservar condições mínimas de sobrevivência do consumidor.

O que diz a lei

A norma define como superendividado o consumidor pessoa física que, de boa-fé — ou seja, sem más intenções ao adquirir a dívida —, não consegue pagar tudo o que deve.

Isso ocorre quando o pagamento das dívidas compromete o chamado “mínimo existencial”, necessário para despesas básicas, como moradia, alimentação e saúde.

A legislação também consolidou o princípio do crédito responsável. Bancos e financeiras devem informar de forma clara juros, taxas, custo efetivo total e consequências do atraso, além de evitar práticas abusivas, como assédio ou pressão na oferta de crédito, especialmente contra idosos.

O banco é obrigado a aceitar acordo?

Não, a lei não impõe que a instituição financeira aceite qualquer proposta apresentada pelo consumidor. O que ela garante é um procedimento estruturado para buscar a renegociação.

Além disso, o consumidor pode apresentar um plano global de pagamento que reúna dívidas de consumo, como cartão, cheque especial e empréstimos.

Contudo, pode haver audiência de conciliação com todos os credores e, em caso de impasse, o Judiciário pode homologar um plano que respeite a capacidade de pagamento e o mínimo existencial.

A dívida não é apagada, e sim reorganizada em condições mais compatíveis com a renda.

O que não entra na renegociação

A lei não abrange dívidas fiscais, pensão alimentícia ou contratos considerados de luxo. Também não há proteção para fraudes ou endividamento deliberado.

Idosos estão entre os mais afetados pelo superendividamento, sobretudo pelo uso do crédito consignado.

A lei não cria privilégios automáticos, mas reforça a proteção contra práticas abusivas e amplia a transparência nas contratações, oferecendo um caminho jurídico para reorganização financeira.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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