Quando o herdeiro tem direito a usucapião? Veja o que diz a lei

A lei permite, determinados critérios, que herdeiro adquira imóvel da família por usucapião; saiba quais são e como funciona o processo

Gustavo de Souza -
Imóvel, casa, aluguel
(Foto: Divulgação/Portal 6)

Nem todo processo de herança termina com divisão imediata dos bens. Em alguns casos, um herdeiro permanece sozinho no imóvel por anos, e é nesse cenário que surge a dúvida: ele pode se tornar o único proprietário por usucapião?

A depender do cumprimento de requisitos legais, essa possibilidade é existente. O Código Civil prevê a usucapião, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu que herdeiros podem utilizar esse mecanismo em situações específicas.

Quando o herdeiro pode ter direito

Em regra, quando um imóvel integra uma herança devida a duas ou mais pessoas, os herdeiros são coproprietários, formando um condomínio hereditário. Isso impede, inicialmente, a posse exclusiva.

No entanto, o STJ admite exceção quando um herdeiro passa a exercer posse exclusiva, contínua e sem oposição dos demais. Nesse contexto, ele deixa de agir como coproprietário e passa a se comportar como dono do bem.

Esse comportamento, chamado de “ânimo de dono”, envolve uso exclusivo do imóvel e, frequentemente, responsabilidades como manutenção, pagamento de impostos e realização de melhorias.

Para que a usucapião seja reconhecida, alguns requisitos precisam ser cumpridos. Por exemplo, a posse deve ser contínua, pacífica e com intenção de proprietário durante o tempo exigido por lei.

Na usucapião extraordinária, por exemplo, o prazo pode chegar a 15 anos, podendo ser reduzido em algumas situações. A ausência de oposição dos demais herdeiros durante esse período é essencial.

Caso haja contestação ou disputa formal, a posse qualificada pode ser descaracterizada, impedindo o reconhecimento do direito.

Como funciona o processo

A usucapião pode ser solicitada pela via judicial ou extrajudicial. Quando não há conflito, o procedimento pode ocorrer em cartório, conforme a Lei de Registros Públicos e normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Já em casos de divergência, é necessário recorrer à Justiça, com apresentação de provas da posse exclusiva ao longo do tempo.

Por envolver critérios técnicos e análise jurídica detalhada, a orientação de um advogado é recomendada para garantir segurança no processo.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiário do Portal 6.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.