Guerra no Irã pressiona custos e encarece construção civil em Goiás

Setor enfrenta alta de custos dos produtos a base de petróleo, enquanto tenta evitar repasses ao consumidor final

Ícaro Gonçalves -
Construção civil
Construção de prédios residenciais e comerciais (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O conflito no Oriente Médio pode até parecer algo distante e sem conexão com a economia goiana, mas a verdade é que os impactos do que ocorre por lá já são sentidos diariamente pela população goiana.

Prova disso é o setor de construção civil, dependente de diversos produtos a base de petróleo, e que já registra alta nos custos. Além disso, a cadeia logística brasileira, baseada no transporte rodoviário de cargas, assiste os preços oscilarem quando o preço do diesel aumenta.

Somando quase 40 dias desde a investida americana contra o Irã, o custo da construção civil em Goiás no primeiro trimestre do ano disparou 1,77%, conforme dados do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

A variação de preços pressiona toda a cadeia de construção e, claro, aumenta o valor final das obras.

Para o diretor de Inteligência de Negócios e Negociação da Rede da Construção, Divino Lindomar dos Reis, o principal fator dessa elevação é o custo dos combustíveis, especialmente o diesel.

“O diesel representa hoje cerca de um terço do custo total da entrega. Somado a isso, o setor enfrenta uma crise de mão de obra para motoristas e ajudantes, tornando a operação logística um dos maiores gargalos para 2026”, destaca Divino.

Esse impacto é ainda mais intenso em Goiás devido ao papel como polo logístico terrestre. A dependência do transporte rodoviário amplia os efeitos das oscilações no preço dos combustíveis.

Além disso, produtos essenciais da construção civil sofrem influência direta da cadeia petroquímica. Itens como PVC, tintas e solventes passam por reajustes ligados ao mercado internacional.

A instabilidade no fornecimento de materiais também preocupa o setor. Aço e acabamentos de alto padrão, vindos de países como Turquia e Irã, apresentam incertezas no abastecimento.

Diante desse cenário, empresas têm adotado estratégias para reduzir os impactos. A antecipação de compras e formação de estoques é uma das principais medidas adotadas.

“Avisamos todos os associados para anteciparem as compras diante dos aumentos anunciados pelas indústrias. É uma forma de garantir que o cliente final não seja pego de surpresa por falta de alguns produtos e também pelos valores altos”, pontua Divino.

Apesar das dificuldades, a expectativa para o setor permanece positiva. A previsão é de crescimento de 2% na construção civil brasileira em 2026.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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