Marca de doces encerra as atividades após se envolver em escândalo com alimentos apreendidos

Juro de Dedinho fechará todas as unidades após operação sanitária identificar irregularidades graves em produtos vendidos ao público

Daniella Bruno -
Marca de doces encerra atividades após escândalo envolvendo alimentos apreendidos
(Foto: Procon Porto Alegre/Divulgação)

O setor alimentício enfrenta, atualmente, regras cada vez mais rígidas relacionadas à qualidade, armazenamento e transparência na venda de produtos ao consumidor.

Nos últimos anos, operações sanitárias intensificaram fiscalizações em restaurantes, mercados e docerias. Além disso, denúncias envolvendo riscos à saúde pública aumentaram ainda mais a pressão sobre empresas do segmento.

No Rio Grande do Sul, uma conhecida rede de doces gourmet acabou no centro de uma das polêmicas mais comentadas do setor.

Após meses de investigações, apreensões de alimentos e multas aplicadas por órgãos de fiscalização, a marca Juro de Dedinho anunciou oficialmente o encerramento definitivo das atividades.

Doceria encerrará operações em maio

A decisão foi anunciada pela proprietária Paola Parmigiani através de um vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo a empresária, a marca encerrará oficialmente todas as operações no dia 30 de maio de 2026.

Antes disso, porém, a empresa já vinha reduzindo presença no mercado. Em fevereiro deste ano, por exemplo, a doceria fechou unidades localizadas no BarraShoppingSul e no ParkShopping Canoas.

Na época, a justificativa apresentada envolvia uma mudança estratégica para priorizar quiosques menores. Ainda assim, o anúncio já indicava dificuldades enfrentadas pela operação.

Operação sanitária apreendeu alimentos

A crise começou em maio de 2025, quando a Vigilância Sanitária, o Procon e a Polícia Civil realizaram a chamada Operação Promessa.

Durante a fiscalização, os agentes apreenderam aproximadamente 270 quilos de doces e alimentos considerados impróprios para consumo.

Além disso, os órgãos identificaram diversas irregularidades, incluindo:

  • Produtos vencidos;
  • Armazenamento inadequado;
  • Embalagens danificadas;
  • Falta de informações sobre validade;
  • Ausência de preços visíveis;
  • Uso de refresco em pó para simular frutas naturais.

O ponto considerado mais grave, entretanto, envolveu produtos vendidos como adequados para pessoas celíacas.

Segundo a fiscalização, a empresa utilizava fermento com glúten em itens identificados como apropriados para consumidores com restrição severa à substância. Dessa maneira, o caso passou a gerar ainda mais repercussão entre consumidores e autoridades.

Empresa recebeu multas do Procon

Após denúncias de consumidores que relataram mal-estar, o Procon de Porto Alegre aplicou três multas contra a empresa em março de 2026.

Ao todo, as penalidades somaram cerca de R$ 66 mil.

Segundo o órgão, as punições envolveram:

  • Venda de produtos vencidos;
  • Falta de clareza nos preços;
  • Omissão de informações sobre composição dos alimentos.

A empresa tentou recorrer das penalidades. No entanto, o Procon negou todos os recursos apresentados.

Além disso, o caso continuou repercutindo nas redes sociais e ampliou o desgaste da imagem da marca junto ao público.

Proprietária pretende lançar livro

Apesar do encerramento definitivo da marca, Paola Parmigiani afirmou que pretende continuar ligada ao segmento gastronômico.

Segundo ela, os próximos projetos incluem o lançamento de um livro com receitas utilizadas pela doceria ao longo dos anos.

Além disso, a empresária também pretende divulgar uma lista pública com fornecedores homologados utilizados pela marca. Dessa forma, ela afirma que pretende manter parte do legado construído pela empresa mesmo após o fechamento das operações.

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Daniella Bruno

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO do Portal 6, em Goiânia. Atua na produção e otimização de conteúdos digitais, com foco em matérias soft sobre comportamento, curiosidades e temas do cotidiano.

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